Sócrates e os Sofistas
 | 
|  |

|
Sócrates, educador dos gregos
| 
|

|
Observa-se que tecnicamente o grande sábio não se diferenciava dos demais sofistas. Também ele deambulava pelos locais públicos oferecendo sua inteligência cortante e fazendo largo uso de todo os truques da dialética, que dominava com perfeição, para vencer os embates intelectuais em que se envolvia. Divergia deles, dos sofistas, ideologicamente, na medida em que contestava o relativismo dos mestres de ensino. Ao contrário deles, Sócrates buscava com tenacidade as coisas perenes, uma moral humana imutável, a que residia no imaginário mundo das formas perfeitas, no
tópos ouranos. Algo firme, que não flutuasse ao sabor dos ventos e das modas, uma concepção comum e imorredoura do que fosse o Belo, o Bem e o Justo (
kalós,
agatós,
dikê).
Sócrates e Platão
 | 
|  |

|
Platão, o formador das elites ocidentais
| 
|

|
Platão, o mais famoso discípulo de Sócrates, divergiu do mestre num aspecto: não acreditava na difusão ampla, democrática da sabedoria. Para ele, ela só poderia ser alcançada pelo confinamento voluntário de aprendiz, da separação do iniciado do restante da sociedade. Nada de andar caminhando em meio a
ágora (
agora) tentando converter a gente comum às grandes idéias, embaraçando-as com exercício dialéticos como Sócrates costumava fazer. O conhecimento,
episteme (
episteme), era apanágio de alguns poucos, mantendo-se no alto, afastado do comum, como a acrópole encontra-se em relação à cidade. A fortaleza do saber demandava uma arte especial para conquistá-la, uma técnica que requeria o domínio da geometria, do raciocínio, da meditação e da reflexão disciplinada.
A Casa da Ciência
Daí ele dedicar-se a fundar a Academia - um local específico, uma casa da ciência - para que um seleto grupo de estudantes pudesse privar da intimidade de um grande pensador e dele auferir a essência das coisas, tratando de dar "atenção a seus próprios assuntos".. (
ta auton pratton), no sentido do auto-aprimoramento.
Platão, um pensador conservador, viu na democracia basicamente um sistema político que dava espaço à licença e à desordem. Um regime que fazia com que os aspectos sensitivos, passionais e demagógicos, fossem estimulados a tomar de assalto os fortins da razão e da coragem, contribuindo para que tudo terminasse reduzido a confusão, a mediocridade e a anarquia, onde "o espírito de tolerância impera aqui sobre a justiça".
Olimpicamente ignorou ter sido ela, a democracia, que mais deu lugar à Palavra (logos), entronizando-a como a nova divindade orientadora dos assuntos humanos. Deidade a qual, por sinal, ele foi um dos mais aplicados devotos.
|
|
Páginas:
1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6