Um Corpo Forte
Mais tarde ainda, envia-se a criança ao paidotríba, para que sua inteligência, uma vez formada, tenha seu serviço um corpo igualmente são, e para que não seja forçado por sua fraqueza física a recuar diante dos deveres da guerra e diante das outras formas de ação. Os mais entusiasmados em seguir esse costume são os que têm meios de fazê-lo; ora, esses são os mais ricos. Os filhos dos ricos enviados à escola mais cedo do que os outros, dela saem mais tarde.."
(*) tocadores de cítara, instrumento de cordas, parecido com a lira
Forma e Conteúdo
Necessitava ele não só expressar-se bem, recorrendo então à retórica, como apresentar sua demonstração de uma maneira racional e persuasiva, o que obrigava-o a dominar muito bem os silogismos lógicos. Forma e conteúdo. Por isso adquiriam importância a geometria de Euclides e a lógica de Aristóteles que se projetaram pelos tempos a fora
como a grande contribuição grega para a educação das gentes. A gramática, a retórica e a lógica formaram assim o tripé da solidez formadora do bom cidadão. Quem quisesse viver naquela sociedade tinha obrigatoriamente que dominar aquelas artes, sendo que elas estavam à disposição de todos graças aos sofistas cujo objetivo era habilitar seus seguidores na arte política (
politike techne).
A Arte Política
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Demóstenes, o mago da palavra
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Discursos vazios ou palavrosos não satisfaziam a ninguém. Era preciso dar uma substância a eles, dar-lhes recheio, atiçar nos ouvintes a imaginação. Para tanto era preciso ter uma cultura poética e literária para ilustrá-los. Além de um amplo domínio da mitologia, decorar alguns cantos de Homero, bem como versos de Teógnis e de Píndaro, além de citar os trágicos como Ésquilo e Sófocles, era uma obrigação do cidadão medianamente instruído. Exigia-se ainda que ele freqüentasse as conferências e audições públicas dos homens sábios (eram célebres as promovidas por Protágoras, o maior dos sofistas, tido, até mesmo por Sócrates, como um dos homens mais cultos do seu tempo), bem como insinuar-se nas tertúlias intelectuais que eram organizadas em casas de particulares, como Platão as descreve nos diálogos do "Banquete" (
Simposium) e na "República" (
Politéia). Aparelhados com a retórica e com o apoio na alta cultura, oradores atenienses como Demóstenes e Ésquines tiveram seus discursos transformados em cânones universais. A arte política nada mais era do que o desenvolvimento da habilidade de seduzir o público, as multidões, através do discurso correto. E o que era um orador senão um espadachim da palavra que, com a emoção adequada e bem dosada, com estocadas previamente estudadas, esperava conquistar o coração e a mente das massas?
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