A Defesa da Convenção
Imediatamente ele requisitou toda a artilharia disponível, contando para tanto com uma investida do major de cavalaria Joachim Murat (que mais tarde seria seu cunhado e rei de Nápoles), senhor de uma coragem assombrosa. Montou então com os canhões um perfeito sistema defensivo ao redor das Tulherias (onde se reunia a Convenção) e de suas adjacências e esperou para ver. Juntaram-se a ele algumas guarnições de ex-jacobinos, como o Batalhão Sagrado dos Patriotas de 1789, apelidado de "batalhão dos terroristas", que resolveu aliar-se à Convenção porque a vitória dos monarquistas significava o cadafalso para todos eles. Até os deputados receberam armas para se defenderem. Os republicanos somavam uns cinco mil homens, enquanto do lado realista eles eram uns 30 mil. Pela manhã do dia cinco de outubro uma coluna dos insurgentes, liderados pelo general da guarda nacional Danican, marchou pela Ponte Nova tentando tomar o cais do Louvre e dali assaltar as Tulherias. Enquanto isso na Convenção o presidente Luís Legendre conclamava "Deixem-nos morrer com coragem lutando pelos amigos da liberdade!" Não foi preciso.
Canhonadas em Paris
 |
|  |

|
A fuzilada nas escadarias da Igreja Saint-Roch (1795)
| 
|
A canhonada de Napoleão varreu os realistas, e, durante as duas horas seguintes, cargas de cavalaria e infantaria, sincronizados com o fogo da artilharia, deixaram 400 mortos entre os atacantes. O jovem general foi exemplar. Em nenhum momento demonstrou hesitação ou temor. Sem exaltar-se, suas ordens eram cumpridas sem demora. Ao exibir um sangue frio impressionante, dava, mesmo aos que não tinham, uma dose extra de coragem. Nas escadarias em frente a Igreja de Saint-Roch, quartel-general dos monarquistas, empilhavam-se os cadáveres do desastre do levante do 13 Vindimario. A república estava salva por mais algum tempo. No dia 26 de outubro, a Convenção agradecida promoveu-o a general de divisão.
Preparando o caminho
A Convenção que havia sobrevivido à insurgência da plebe no Prairal (20-23 de maio de 1795), e a dos ricos no Vindimario (cinco de outubro de 1795), não poderia jamais imaginar que grande parte dos que ali estavam presentes iriam, quatro anos depois, no 18 Brumário (nove de novembro de 1799), capitular justamente para quem os havia salvo da do assalto, não conjugado, da pobreza e o do dinheiro. As canhonadas disparadas pelo jovem Napoleão em Toulon e, em seguida, dentro de Paris, pavimentaram por sua vez o caminho dele rumo ao consulado e depois ao império, servindo como uma alavanca feita de chumbo e pólvora para uma das maiores aventuras individuais da história moderna.
|
1 | 2 | 3 | 4