BUSCA + enter






A discórdia esteve sempre presente


Brueghel

A parábola dos cegos

Fosse Sócrates ou Buda, Confúcio ou Zoroastro, Jesus ou Maomé, Alexandre ou César, Augusto ou Constantino, Dante ou Petrarca, Erasmo ou Las Casas, Kant ou Marx, não houve um só deles que, reconhecendo a essência comum da humanidade, não propusesse algum tipo de restauração da unidade extraviada. Porém, toda vez que os ouvidos dos homens e das mulheres estiveram atentos, sintonizados com o apelo para que voltassem a se reencontrar na terra de Senaar, alguma poção de discórdia era ministrada para estragar tudo, para voltar a cegar os homens, gerando um novo desconcerto.

Do Otimismo ao Novo Dilúvio


reprodução

Jules Verne

Certamente que não se vivia num paraíso nos finais do século XIX. O colonialismo do homem branco empalmara o mundo, mas todos se sentiam otimistas quanto ao futuro. Haviam inventado de tudo; as máquinas a vapor espalhavam-se para todos os cantos; a locomotiva e o telégrafo corriam o mundo; o telefone dava os seus primeiros chiados, e a expectativa de vida aumentara em um quarto ao longo daquele século. Jules Verne, apóstolo do progresso, previa maravilhas: homens no centro da Terra, homens viajando para lua, o capitão Nemo no fundo do mar. Os Daimler-Benz e Mister Ford, por sua vez, anunciavam uma era motorizada para breve. O Progresso era a nova divindade a ser celebrada. A situação parecia ser tão tranqüila que até os principais monarcas europeus, o rei da Grã-Bretanha, o kaiser da Alemanha e o czar da Rússia, Dicky, Willy, Nicky, como popularmente os chamavam, eram todos primos irmãos. Quem poderia suspeitar de um desastre ou imaginar uma briga de família naquelas proporções?


reprodução

O nautilus de Verne, aposta nas possibilidade humanas

A Torre Novamente em Ruínas

Os tijolos do novo mundo de paz estavam todos sendo empilhados pela tecnologia e pela prosperidade geral para erguer o edifício comum da civilização no estupendo século XX que se avizinhava, esperançoso. E num zaz, tudo se foi num verão de 1914. Desta vez, não tratou-se só de uma torre desmanchada, pois, em seguida, um dilúvio de sangue humano inundou a Terra. Por duas vezes, a primeira em 1914-18 e a segunda em 1939-45, a venenosa discórdia fez o seu estrago, obrigando a que as palavras usadas então fossem vertidas em balas, petardos e bombas atômicas.

A Cautela no Erguimento da Nova Babel


reprodução

Um globo reunificado

Os homens, adorando um combate, faceiros em poder matar-se por motivos nobres, autorizados pela pátria, pela causa, pela nação, império ou raça, não se fizeram de rogados. Ao som das cornetas e dos tambores tribais, quase exterminaram com a civilização. Agora, novamente pacificados, ultrapassado mais de meio século sem guerras mundiais, refluído o dilúvio de 1945, o vozerio dos sobreviventes vindo de todos os lados ergue-se a favor do retorno à era pré-Babel. Mas que desta feita a humanidade se cuide, que fale baixinho, sem grandes alardes, que use plásticos no lugar de pedras e silenciosas ferramentas de pau na construção da nova torre - símbolo de uma humanidade unida - para que barulho algum ou estridência outra possa de novo despertar a ira de um deus. Se agir assim, isso a permitirá fazer com que, finalmente, nenhum dos seus generosos desígnios seja irrealizável.

|



 ÍNDICE DE ARTIGOS





 
 » Conheça o Terra em outros países Resolução mínima de 800x600 © Copyright 2002,Terra Networks, S.A Proibida sua reprodução total ou parcial
  Anuncie  | Assine | Central de Assinante | Clube Terra | Fale com o Terra | Aviso Legal | Política de Privacidade