Amós e a Tenda de Davi
Há vinte e oito séculos passados, no século VIII a.C., surgiu no antigo Reino de Israel um profeta que predisse grandes desgraças para seu povo devido às deformações sociais em que a Terra Prometida se encontrava. Amós, nas cinco visões que teve, ergueu-se contra o esbanjamento dos ricos e o furor tributário dos governos, acreditando que somente o lavrar de um grande incêndio, acompanhado por uma arrasadora praga de locustos, poderia regenerar a sociedade das injustiças, permitindo então que se erigisse nela uma nova tenda de Davi.
Amós é escolhido
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"Vós transformais o direito em veneno e o fruto da justiça em absinto"
Amós - O Livro de Amós (Amós, 5)
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Abraão sacrificando o filho
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Mesmo não pertencendo a nenhuma família de nabis, de profetas, Jeová escolheu o vaqueiro Amós, da insignificante aldeia de Técua, como seu arauto. Estimulou-o a que fosse para o Reino do Norte, para às proximidades de Jerusalém e Belém para levar ao povo as suas palavras. Cumpria-se assim mais uma dessas estranhas determinações do Todo-Poderoso, sempre inclinado em escalar gente simples como seu porta-voz, como se vê ao longo do Livro Sagrado - ora é um pescador, um pastor, ou ainda um marceneiro. Como a maioria dos profetas, Amós era um desconforto só. Não houve o que o seu verbo poupasse no reino de Jeroboão II ( 781-741 a.C.). Irritou-o particularmente o costume dos ricos fazerem suas oferendas envoltos no maior luxo. Na verdade, disse, com seus holocaustos, eles não estão preocupados em agradar a Deus mas sim em exibir-se aos pobres, em mostrar que enquanto muitos gemem de fome, os ricaços dão-se ao desplante de entregar um carneiro gordo às chamas. Portanto, para ele, aquela liturgia era vazia de sentido. O que ele desejava era "
que o direito corra como a água e a justiça como o rio caudaloso".
Um mundo sem escrúpulos
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Havia luxúria na Terra Prometida
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Amós não parou por aí, lançando ameaças para todos os lados - às nações vizinhas e também a Judá e a Israel, de quem cobrou compromisso morais mais elevados exatamente por ser a terra escolhida por Jeová -, o profeta causou grande apreensão. Os governantes locais, arengou ele, eram cúpidos sem escrúpulo que expulsavam o pedinte da sua porta, extorquindo-lhes o pouco por meio de tributos e impostos, além de aumentar o preço do trigo ao seu bel-prazer. Não lhes deixavam nem figo nem tâmaras. Recolhiam até as migalhas.
Chocou-se com a ostentação dos palácios na Samária, pensando que cada pedra, cada coluna, cada escadaria, fora erguida à custa do sacrifício da multidão de pobres. Uma concentração de riquezas que pareceu-lhe obscena, prevendo então que "um inimigo cercará o país, arrancará de ti o poder e os teus palácios serão saqueados". Homem do interior, vindo de uma vilarejo de criadores de ovelhas, Amós, em suas peregrinações por Betel e pela Samária - supõe-se que entre 760-750 a.C. -, perturbou-se com o largo uso do vinho, as refeições que os poderosos faziam com as mãos engorduradas em carnes abundantes e, pior ainda, acompanhadas de música!
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