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Os reis cristãos e seus campeões


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Cristão atacam mouros

À frente daquele poderoso exército, marchavam os reis Afonso VIII de Castela, Sancho II de Navarra e Pedro II de Aragão, seguidos dos campeões, tais como Lópes de Haro e Garcia Romero, cujas espadas, antes, haviam sido afiadas nos escudos e nos ossos dos mouros, em combates memoráveis. Agrupados em três grandes colunas, puseram-se em marcha para achar o califa. Ao verem que os mouros bloqueavam o Passo do Muradal, na província de Jaen, descobriram uma passagem nas montanhas que lhes permitiu alcançar a planície de Las Navas de Tolosa.


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O signo de Cristo espanta os mouros

Estimavam que o califa tinha uns 100 mil homens. Pouco lhe serviu. Depois de um primeiro choque, na manhã do dia 16 de julho de 1212, os cristãos tomados de fúria sagrada concentraram-se a destruir as forças de elite de Miramamolin. Foi um deus-nos-acuda. Os cavalões encouraçados e as enormes espadas dos cruzados fizeram um estrago medonho. Um alferes castelhano, dom Sancho de Reinoso, chegou a ver pairando no céu a Cruz. Era o toque final, o sinal sublime que faltava para que cada braço cristão se tornasse uma máquina de pancadas, de martelaços e adagaços.

A batalha e a derrota dos mouros


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O pavilhão do derrotado califa al-Nasir

Os mouros recuaram e em seguida fugiram. Dom Fernando, o infante castelhano, assaltou a tenda de al-Nasir, trespassando com a lâmina os últimos guardiães. Na planícies, jogados, estavam os feridos, milhares deles, implorando misericórdia. As montarias dos cruzados, nervosas, com as patas afundadas no pó ensangüentado, passavam por cima de tudo. Alguns dos mouros caídos talvez recordassem, naqueles momentos derradeiros, quando a vida se lhes esvaia, dos versos de Antera Saddad (525-615) que diziam "Lembrei-me de ti quando as lanças me feriram e dos brancos sabres gotejava o meu sangue. Quis beijá-los porque brilhavam como a tua sorridente boca". No chão, amarrotada, uma bandeira do califa, que depois foi remetida ao papa. A batalha se encerrara. A Cruz batera o Crescente. Vingaram-se os cristãos do acordo que outros reis foram obrigados a aceitar, vinte anos antes, em 1192, quando Saladino continuou ficando com Jerusalém. A Internacional Cristã, animando a Reconquista da Ibéria, dava início a sua contra-ofensiva. Que, aliás, como se vê, até hoje ainda não parou.


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» Mouros vs. cristãos: uma Derrota do Ocidente
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