Mouros vs cristãos
Uma Derrota do Ocidente
Os cavaleiros cristãos, na época da primeira cruzada, depois de terem conquistado Jerusalém no ano 1099, dividiram a região da Terra Santa em diversos reinos e, explorando a fraqueza e os desacertos entre os maometanos, conseguiram firmar-se lá por dois séculos. Situação que durou até que Saladino, um chefe curdo, conseguiu liderar o povo do Crescente para expulsá-los. A partir dele, os dias de posse da cristandade de um pedaço da terra sagrada se encerraram.
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"Praza a Deus que eles nunca mais coloquem os pés aqui."
Abul-Fida, comentando a expulsão dos cristãos em 1291, século XIII
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Uma promessa ao pai
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Balduino I, rei de Jerusalém (1100)
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As tropas do sultão Qalaum mal haviam saído do Cairo quando ele começou a sentir-se mal. Resolveram acampar em Marjat-al-Tin, onde o seu filho al-Asrhraf Khalil, foi chamado às pressas à tenda do pai. Ali, ele jurou dar continuidade à campanha militar contra os remanescentes dos cruzados que ainda restavam ocupando um naco da Terra Santa. O idoso sultão mameluco expirou em novembro de 1290 e seu sucessor resolveu postergar as operações para o ano seguinte. Seriam os derradeiros movimentos de uma longa e dolorosa guerra que, apesar de seguidas tréguas, envolvia muçulmanos e cristãos há quase dois séculos, desde os tempos da Primeira Cruzada (1095-99).
Os reinos cristãos da Terra Santa
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O povo de Cristo e os cavaleiros rumo a Jerusalém
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Fanatizados pela Igreja medieval, milhares de cavaleiros de todos os escalões da nobreza européia haviam tomado o rumo da Oriente acompanhados por uma chusma de peregrinos e beatos de todas as procedências. Em 1099, conseguiram tomar Jerusalém, massacrando quase toda a infeliz população muçulmana lá capturada. Em 1100, Balduino, conde de Edessa, resolveu proclamar-se rei de Jerusalém e os cruzados formaram o Reino Latino, composto por quatro estados nas regiões ocidentais da Síria, Líbano e Palestina. Apesar de sua escassez em homens, conseguiram se impor aos nativos graças a suas poderosas armaduras, sua determinação fanática, e a uma série de fortes e castelos que construíram na área. Para assegurar ainda mais seu domínio sobre uma população hostil, permitiram que mercadores das cidades comerciais italianas lá se instalassem, bem como criaram as ordens monacais dos templários e dos hospitalários, para dar apoio logístico às romarias incessantes vindas da Europa.
Da inanição à reação
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Saladino vence os cristão em Hattin (1187)
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Divididos entre si, os muçulmanos demoraram quase meio século para reagir ao torpor provocado pela invasão dos odiados franjs, como eram chamados por eles os cruzados. A cada sucesso dos árabes, mais cristãos desembarcavam nos portos levantinos para assegurar a posse os lugares sagrados. Em 1174, as forças do Islã passaram a contar com a extraordinária energia do sultão, de origem curda, Saladino (1137-93). Pondo fim ao inoperante califado fatímida do Egito, passou a coordenar uma campanha sistemática contra as bases dos infiéis. Treze anos depois, em 1187, depois de vitorioso na batalha de Hattin, Saladino teve a honra de ser o primeiro líder islâmico a retomar a cidade sagrada de Jerusalém ao expulsar os cruzados de lá.
Desde então, confinados a alguns portos do Levante, os cristãos agarravam-se ao litoral da Terra Santa como caranguejos em dia de maré baixa. Os conflitos internos que afligiam a cristandade européia, as querelas dos papas com os imperadores e reis desestimularam a chegada de auxílio. Foram salvos de uma expulsão definitiva pela abrupta invasão dos mongóis vindos da Pérsia e que começaram a assolar a região. Liderados pelo neto de Gengis-Kahn, Hulagu, colocaram o mundo árabe em polvorosa.
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