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História - Antiga e medieval
ANTIGA E MEDIEVAL

A Quarta Cruzada, a cruzada bandida de 1204

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A Quarta Cruzada
» A cruzada bandida de 1204
» A trama contra Constantinopla
 
O papa João Paulo II, seguindo sua política de reaproximação com as demais religiões organizadas da Terra, em cerimônia realizada no Vaticano no final de novembro de 2004, devolveu os santos ossários de mártires da Igreja Cristã Ortodoxa ao patriarca oriental. Relíquias estas que haviam sido roubadas do interior da Igreja de Santa Sofia há 800 anos passados, por ocasião do saque a que soldados cristãos, embarcados em Veneza, haviam submetido à cidade de Constantinopla. Episódio vergonhoso da cristandade que somente acelerou ainda mais a separação das duas igrejas, a católica e a ortodoxa, situação que se prolonga por oito séculos.

A imponência de Constantinopla

O saque de Constantinopla pelos cavaleiros cristãos (12-15 de abril de 1204)
Nos primeiros anos do século 13, Constantinopla, a capital do Império Bizantino, orgulhava-se de ser vista como a cidade mais rica do mundo. Dizia-se que 2/3 da riqueza universal passava pelo seu amplo porto e pelas mãos dos seus comerciantes, ativos em meio a uma fervilhante população de um milhão de habitantes. Era um exagero. Mas não era o fato dela ser, para inveja de Roma, a cidade cristã que mais acumulara relíquias sagradas. Desde que o imperador Constantino, convertido à fé de Cristo, fizera dela, no ano de 330, a sede da nova religião, seus funcionários espalhados por boa parte da Ásia Menor não cessaram mais de remeter-lhe todo e qualquer tipo de lembrança que pudesse estar relacionada a Cristo e aos Apóstolos.

Assim, em poucos anos, Constantinopla tornou-se um imenso bazar do sobrenatural. Até a Verdadeira Cruz, encontrada por Helena, a mãe de Constantino, e sagrada por Macário, o patriarca de Jerusalém, estava exposta na Catedral de Santa Sofia (Hagia Sofia). A isso somavam-se os santos ossários, relicário composto pelos restos de mártires do cristianismo. Entre eles, o de São João Crisóstomo, morto em 407, orador assombroso, justamente apelidado de "o boca-de-ouro", inimigo da imperatriz Eudoxia.

Por isto, a cidade hospedava um sem-fim de peregrinos vindos de todos os cantos do Ecúmeno cristão, e que, ultrapassando a Porta Dourada, despejavam rios de dinheiro no comércio local.

Graças a uma astuta política que combinava diplomacia com grossos subornos, Constantinopla escapou do destino de Roma, ocupada a partir do século 5 por uma maré de bárbaros. O que não podia esperar é acabar sendo invadida por cavaleiros cristãos vindos da Europa, gente da sua mesma fé.

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