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História - Antiga e medieval
ANTIGA E MEDIEVAL

Jesus Cristo se indispõe

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» Jesus Cristo se indispõe
 
Em Jerusalém, indignou-se Cristo com a presença de centenas de vendedores que ocupavam o adro do Templo para negociarem de tudo, inclusive pombas a serem dadas em holocausto. Agindo com o cajado na mão para afastar dali os profanadores, disse que aquele era um espaço para orar e não mercadejar. A tensão aumentou ainda mais no dia seguinte. Instalado nas escadas do Templo para pregar a chegada do Reino dos Céus, logo atraiu a atenção dos escribas e dos fariseus, que questionaram a presença dele naquele recinto.

Como Jesus fora batizado, uns tempos antes, por João Batista (o famoso profeta que, quando preso na fortaleza de Maquerunte, tivera a cabeça decepada a mando de Herodes Antipas, para antender o pedido da sua esposa Herodíade), acreditou que não devia dar explicação aos burocratas do Templo. Como o assédio deles o incomodava, pois não cessavam as provocações, o Nazareno reservou a eles uma bateria de maldições, sete no total, nas quais clamou abertamente para que o povo local não seguisse aquela gente serpentina de dupla cara e atitude hipócrita que dominava o Templo. Assim, em pouco tempo, ele declarou guerra ao comércio e à burocracia sacerdotal, tendo ao seu lado somente um punhado de seguidores que tinham vindo com ele desde a Galiléia.

Não só isso, lançando mão de algumas parábolas, profetizou que os judeus perderiam em breve o estatuto de ser o Povo Eleito de Deus (a mais explicita delas foi a dos “vinhateiros homicidas”, Mateus 21-22), como por igual imprecou contra Jerusalém acusando-a de matar os profetas e apedrejar os que eram enviados a ela, vaticinando que “ a vossa casa ficará abandonada” (Mateus 23-24). Não é de se estranhar, assim, que o considerassem como alguém abertamente dissidente do judaísmo de então.

A última ceia

Entre um dia e outro, ele se recolhia à casa de Simão, o leproso, na aldeia de Betânia, para mostrar a todos que nada podia assustá-lo. Os testemunhos indicam, todavia que o seu temperamento se alterara naqueles dias derradeiros. Tornou-se pensativo e tristonho. Em três ocasião anteriores ele alertara os discípulos que a vinda dele para Jerusalém resultaria na sua morte e ressurreição (Mateus 16;17-18;19-20).

Na noite de quinta-feira, véspera da Sexta-feira da Paixão, no jardim de Getsémani, no Monte das Oliveiras, fez a derradeira reunião com seus apóstolos. Durante a ceia, quando deu-se a Eucaristia, a partilha do pão e do vinho entre ele e os seus, previu a traição de um deles. De fato, Judas Escariotes entregou-o a gente do Templo por 30 moedas de prata. Seguramente deve tê-lo chocado a covarde debandada dos seus seguidores quando, encerrado o encontro, a guarda chegou para levá-lo.

Do pretório ao Gólgota

A Ressurreição de Cristo (tela de M.Grünewald, 1515)
As denúncias recebidas por Caifás, o sumo sacerdote e principal autoridade teocrática judaica, obrigara-o a mandar deter Cristo. O fato dele se apresentar como Rei dos Judeus colocava-o na posição de agente subversivo: contra o Templo, que não lhe reconhecia nenhuma autoridade mística e contra o Governo dos Procuradores instalado por Roma, que naquela ocasião era exercido por Pôncio Pilatos. A briga com os vendilhões e as discussões públicas com os escribas selaram-lhe o destino.

O julgamento dele foi sumaríssimo. Levado na mesma noite à corte do Sinédrio, o grande tribunal dos anciãos, Caifás acusou-o de blasfemo. Crime punido com a morte. Se fosse seguida a lei mosaica ele seria lapidado. Os romanos encarregados de aplicar o ius gladii, preferiam a crucificação. Na presença de Pilatos, o prefeito da Judéia (*), provavelmente instalado na Torre Antônia, ao lado do Templo, para a decisão final, ele não esboçou nenhum gesto de defesa.

A turba que estava presente, na hora em que o romano lançou mão da venia, o direito de suspensão de uma sentença proferida, saudou o nome de Barrabás, um delinqüente local. Cristo, apupado, aceitou o martírio. No calvário até chegar ao Gólgota, a colina em forma de caveira situada fora da cidade, ele, além de carregar o lenho, passou pelo inferno das vergastadas e demais flagelos que os romanos costumavam aplicar aos sentenciados que padeciam na cruz. Somente as mulheres o acompanharam até o derradeiro suspiro (João, o evangelista, assegurou que ele era o único dos seguidores que estava presente).

(*) O procurador Pôncio Pilatos estava em Jerusalém para acompanhar a páscoa e, com sua presença, evitar a ocorrência de possíveis perturbações da ordem. Herodes Antipas, o tetrarca, também lá se encontrava por ocasião do julgamento de Cristo, mas apenas para se fazer presente naquela ocasião festiva.

Bibliografia

Armstrong, Karen - Jerusalém, uma cidade, três religiões, S.Paulo, Cia das Letras, 2001.
Bíblia de Jerusalém, S.Paulo, Edições Paulinas, 1985.
Donini, Ambrogio - História do Cristianismo, das origens a Justiniano, Lisboa, Edições 70, 1980.
Daniel-Robs - A Palestina no Tempo de Jesus Cristo, Lisboa, Edições Livros do brasil, s/d.
Richardson, Peter - Herod, king os the jews and friend of the romans, Carolina do Sul, EUA, University of South Carolina, 1996.
Toynbee, Arnold (dir.) El crisol del cristianismo, in Historia de las civilizaciones, Madri, Alianza Editorial/Labor, 1988, vol.4.

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