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As campanhas de Al-Mansur
Com o controle total e absoluto da situação em Córdoba, tida como a jóia mais valiosa do mundo muçulmano europeu, Ben-ibn-Amir lançou-se então às suas celebres campanhas militares movidas contra os reinos cristãos, ao tempo em que fazia do califado o poder hegemônico sobre os demais (naquela época havia cinco emirados na Al-Andaluz: Málaga, Algeciras, Ceuta-Tânger, Badajoz-Lusitânia e Toledo). Por muitos anos o nome dele tornou-se demoníaco, um verdadeiro inferno para leoneses, castelhanos, galegos, asturianos, navarreses e catalãos, visto que durante mais de 20 anos seguidos ele moveu-lhes uma guerra incessante, sem dar quartel, pilhando-lhes as aldeias, saqueando e depredando-lhes os campos, cercando-lhes os castelos e fortalezas, derrubando-lhes os muros da cidades, capturando reféns da nobreza cristã, escravizando os prisioneiros capturados em combate ou seqüestrando belas mulheres brancas para o seu harém. Aos derrotados só lhes restava aceitar pagar o tributo. Vitorioso sempre, ele conseguiu realizar 56 campanhas militares sem jamais ser derrotado. Tomou Pamplona, Barcelona, Saragoça. Aragão, Sobrarbe, Ribagorza, arrasou Coimbra e, por diversa vezes, bateu os reis de León, Castela e Navarra. Para humilhar ainda mais o rei Sancho Garcés II de Pamplona, e Bermudo II de León, forçou-os a entregarem-lhe as filhas como esposas.
A destruição do santuário
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Ruínas do palácio l-Zahra
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Obedecendo a lógica da guerra santa, quase nas vésperas do Primeiro Milênio da cristandade, fez no ano de 997 uma surpreendente razia contra o grande santuário dos cristãos medievais: o de Santiago de Compostela, situado no canto norte da Galícia. Lugar longínquo, considerado geograficamente quase que inexpugnável naqueles tempos. Aquela altura cognominado de al-Mansur bi-Allah' (o vitorioso de Deus), adorado e temido pelas tropas mouras , desde 981 ele se tornara o rei de fato do Al-Andaluz. Decidiu-se então, numa das suas maiores ousadias, numa expedição que alternou uma parte terrestre e outra por mar, ir profanar e abater aquele símbolo da resistência cristã à presença islâmica na península. Quis mostrar que ninguém dentro da Espanha podia ficar imune ao punho armado de Maomé, e que somente a fé do Profeta seria soberana na península. Caindo como um gavião sobre sua presa, no dia 11 de agosto de 997, ele destruiu a basílica de Compostela e ordenou que levassem o seu sino e suas portas para Córdoba nas costas dos saqalibas, os escravos cristãos. Dizem, é controverso que apenas respeitou o sepulcro do apóstolo.
Lições do projeto político de Al-Mansur
O projeto político de Al-Mansur – um só estado, um só exército, uma só fé para toda a Espanha -, por sua vez, terminou por fazer escola. Foi exatamente isso, a tal bandeira de unificação plena, com toda a sua carga de intolerância, que os reis cristãos adotaram para si. Desde a ofensiva final desencadeada sobre o reino de Granada, ocupado em 1492, determinada por Fernando e Isabel, reis de Aragão e Castela, os reis católicos trataram de erguer e impor a mesma bandeira à península Ibérica nos anos que se seguiram à Reconquista. O general árabe, cognominado de Castigo de Alá, morreu aos 62 anos de idade, na noite entre 10 a 11 de agosto de 1002, quando retornava de uma expedição feita à San Millá de la Cogolla, num local chamado Bordecorex, nas proximidades de Medinaceli, na província de Soria, na Castela. Sepultado por lá mesmo, gravaram na sua tumba um epitáfio ambíguo: “As marcas que deixaste na terra ensinaram-te a tua história como se a visse com teus próprios olhos/ Por Alá, que jamais os tempos tragam outro alguém como ele nem que como ele defendam as nossas fronteiras.” Um monge cristão, por seu lado, deixou o seguinte registro: “No ano 1002 morreu Almanzor: foi sepultado no inferno.”(in Historia de los musulmanes de España, de R.-P Dozy, v II, pag. 126) Com ele foi-se o derradeiro esforço dos muçulmanos em construir um govenro forte com autoridade sobre a maior parte da Espanha. Os sucessores de Al-Mansur não conseguiram sustentar o seu ideário por muito mais tempo. A crise do califado de Córdoba no século XI promoveu a feudalização dos redutos mouros, surgindo no lugar da centralização os reinos Taifas, pequenas entidades políticas que enfraqueceram ainda mais a presença muçulmana na Espanha, estimulando com isso a reação dos príncipes cristãos vindos do Marca Norte. O site recomenda a leitura de:
Bartolomé Bennassar – Historia de los españoles, Barcelona, Editorial Grijalbo, 2 v. R. – P. Dozy – Historia de los musulamanes de España, Barcelona, Editorial Iberia, 2 v. Magdalena Lasala - Almanzor El gran guerrero de Al- Andalus Editorial Temas de Hoy (extremamente crítico a Al-Mansur)
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