Educação História por Voltaire Schilling Antiga e medieval
Boletim
Receba as novidades no seu e-mail!
Fale conosco
. Envie releases
. Mande críticas, dúvidas e sugestões
EducaRede
Entre no portal da escola pública
História - Antiga e medieval
ANTIGA

A Conversão de Constantino - O Édito da tolerância

Leia mais
» A Conversão de Constantino
» A Conversão de Constantino - O Édito da tolerância
 
Aparentemente aquela era mais uma das tantas batalhas travadas entre os caudilhos romanos - começadas quatro século antes pela vitória de Sila no ano de 82 a.C. - , para decidir quem seria o senhor dos destinos da Cidade Eterna. Porém não foi assim. Ela, a batalha da ponte Milvio, mudou não só o império mas boa parte do mundo. No ano seguinte à vitória, em 313, em sinal de gratidão, o imperador vitorioso publicou o Édito de Tolerância em Milão, concedendo liberdade religiosa aos cristãos, considerando sua fé como religio licita. O alivio entre os perseguidos foi imenso. A longa caçada que o governo romano movera por dois séculos e meio contra os seguidores de Cristo, com sua esteira de mártires, vítimas da tortura e de flagelos mil, chegava ao seu fim.

Uns anos antes de Constantino alçar-se ao poder, Diocleciano um dos seus antecessores, culpando os cristãos pelo incêndio do palácio da Nicomédia, ocorrido em 303, ordenara uma implacável batida geral em todo império contra eles (encarcerou inclusive São Nicolau, o Nicolau de Myra, um velhinho de barbas bem brancas que adorava presentear a meio mundo, carinhosamente conhecido mais tarde como Santa Claus, o nosso Papai Noel). Foi a última que eles sofreram, pois com Constantino tudo se alterou, tanto é que ele determinou a construção de basílicas por todos os lados para celebrar sua adesão à Revolução da Cruz. Todavia, mesmo convertido à doutrina da mansidão, o imperador não livrou-se das paranóias e das brutalidades inerentes ao cargo. Insuflado pela imperatriz Fausta, sua segunda mulher, Constantino ordenou, em 326, que estrangulassem o seu filho Crispo, em quem viu atos conspirativos.

Em busca da expiação

Constantino vez a cruz no céu, o signo da sua vitória
Não suportando a morte do neto favorito, horrorizada com o acontecido, Helena, a imperatriz-mãe, desancou-lhe o verbo, passando-lhe uma reprimenda em regra. Inteirando-se do caso, das maquinações da nora, é bem provável que a augusta matrona tenha exigido que Constantino, carrasco do filho, executasse também a esposa, que até então lhe dera cinco outros filhos. Obediente à matriarca, ele assim o fez, determinando aos seus sicários que esfaqueassem Fausta na hora do banho. Deu-se-lhe então uma enorme culpa. A morte de Crispo e de Fausta deixou Constantino e a sua mãe arrasados. Caíram em depressão. Foi então que Helena, quase uma octogenária, seguramente em busca da expiação dos pecados, partiu de Nápoles para a Palestina, a pátria piedosa de Jesus e das relíquias sagradas. Se bem que já existisse em Jerusalém um roteiro dos Lugares Santos, fixando os passos do galileu na cidade, Helena pôs mãos à obra.

Com os vastos recursos do império à disposição, e mesmo da fortuna pessoal dela, do filho e da ex-nora assassinada, com impressionante dedicação e energia, liderando uma equipe de arqueólogos, arquitetos e engenheiros, ela determinou a construção do Santo Sepulcro e de inúmeras outras obras sacras espalhadas pela Terra Santa. Não só isso. Numa das escavações feitas no alto do Gólgota, em busca do sepulcro onde o corpo de Cristo teria sido colocado findo o suplício, encontraram três antigas cruzes bem próximas umas das outras. Foi a glória de Helena. O próprio lenho onde o Senhor fora sacrificado, a Santa Cruz, caíra em suas mãos. A augusta mãe sentiu-se então redimida (a Igreja Cristã também , canonizando-a como Santa Helena). De alguma forma ela supôs que tal graça era sinal de que os crimes do filho estavam perdoados. E assim, resultado de batalhas vencidas, de crimes seguidos de arrependimentos, o cristianismo se afirmou como religião oficial do império romano e de parte considerável do mundo.

página anterior     
Veja todos os artigos | Voltar