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A República brasileira

A República Oligárquica


A proclamação da República

A crise final se deu com a inconformidade das tropas perante as punições que o Marechal Deodoro, verdadeiro ídolo do Exército, estava sofrendo por parte do gabinete chefiado pelo Visconde de Ouro Preto. Floriano Peixoto encarregado de sufocar o levante aderiu a ele. O governo não contava mais com o apoio de ninguém. A Marinha ficou paralisada e o Imperador foi convidado a abandonar o país. O golpe foi incruento pela falta de qualquer resistência organizada. No entanto, os anos seguintes seriam sombrios para a República recém implantada.

A constituição republicana


Tornado presidente provisório, o Marechal Deodoro tratou de marcar eleições para a formação de uma Assembléia Constituinte. Em 1891 ela aprovou a primeira Carta republicana da nossa história. fixou-se o regime presidencialista com mando de 4 anos, a criação de uma Suprema Corte para arbitrar os conflitos constitucionais e deu-se grande autonomia política aos Estados e Municípios como determinava o federalismo norte-americano. No seu afã de americanizar o Brasil, os constituintes chegaram a mudar o nome do Brasil para Estados Unidos do Brasil. E, inspirados pelo positivismo francês adotaram na nossa bandeira o lema favorito de Auguste Comte "Ordem e Progresso" como um ideal a ser seguido. O recado estava claro, Progresso sim mas com o controle das Forças Armadas.

A exclusão do povo


A reforma eleitoral aprovada pelos republicanos foi marcada pela exclusão da grande maioria do povo brasileiro. A adoção do preceito de que analfabeto não tem direito a votar marginalizou a maioria da nossa população, especialmente os escravos recentemente alforriados que eram em número de um milhão e meio numa população de dez milhões de habitantes. Além desta exclusão, os republicanos criaram um sistema eleitoral que terminava por estimular a fraude visto que o voto não era secreto e o próprio governo se encarregava de contar os votos. Rapidamente o poder real e concreto resvalou para os coronéis do interior, para os mandões locais que manipulavam os resultados eleitorais visto que controlavam os seus currais eleitorais com mão-de-ferro. Não demorou muito para que o processo eleitoral se tornasse sinônimo de farsa. Um jogo de cartas marcadas onde todos os resultados eram previsíveis de antemão.

As reações anti-republicanas


Ao contrário da versão conservadora de ter sido a República uma implantação quase que pacífica, muito sangue correu nos seus primeiros anos. Primeiro foram os almirantes de esquadra como Custódio de Mello e Saldanha da Gama que por duas vezes se rebelaram contra o novo regime levando o terror ao Rio de Janeiro que foi bombardeado pela esquadra fundeada na baía da Guanabara entre 1891 e 1893. Depois foram os grandes estancieiros da fronteira gaúcha que pegaram em armas em protesto pela marginalização do poder feita pelo grupo dos seguidores de Júlio de Castilhos que nos conduziu a uma das mais ferozes guerras civis da história brasileira. A Revolução Federalista de 1893/94 provocou mais de dez mil mortos e a degola foi a nossa guilhotina. Não se dava quartel ao inimigo. Castilhos venceu a guerra com apoio do Exército de Floriano Peixoto e seu grupo dominou o Estado por um quarto de século.

Finalmente foi a vez dos miseráveis do campo. Liderados por um guia religioso, Antônio Conselheiro, os jagunços de Canudos em pleno interior baiano declararam-se em guerra contra a República, em 1896/97. Milhares de soldados foram para lá enviados para sufocar aquela rebelião de sertanejos. Na última campanha o Exército tomou o reduto e passou boa parte dos sobreviventes pelo fio da espada. Euclides da Cunha, repórter do Estado de São Paulo deixou seu relato num livro admirável, o primeiro clássico republicano "Os Sertões" que apareceu em 1903 consagrando-o como um dos grandes escritores brasileiros.

A república dos coronéis


Durante a presidência do paulista Campos Sales, entre 1898-1902, introduziu-se a chamada "verificação dos poderes". O Sistema eleitoral brasileiro tornava-se um rígido código de compromissos onde o "curral eleitoral", fonte teórica de legitimidade, votava no candidato do coronel local, este por sua vez comprometia-se a dar apoio ao governador, uma espécie de supercoronel. O governador, ou presidente do Estado, como era então denominado, por sua vez, apoiava o Presidente da República, que se tornava assim uma espécie de patriarca do sistema coronelístico. Era praticamente impossível a oposição vencer eleições. Assim o princípio republicano da rotatividade das elites políticas estava impedido de realizar-se, por toda a parte os mesmos grupos políticos controlavam todas as instâncias do Poder.

O tenentismo e a revolução de 1930


O movimento tenentista foi a primeira contestação aberta à República Oligárquica. Jovens oficiais do Exército terminaram por liderar várias rebeliões a partir de 1922, formando um clima propício para o desenlace do regime em 1930.

Começando com a Revolta do Forte de Copacabana em 1922, seguindo-se pela revolta paulista em 1924, chamada de revolta de Isidoro (devido seu comandante chamar-se General Isidoro) passando pela grande feito de armas que foi a Coluna Prestes, entre 1924-26, culminando com o levante armado de outubro de 1930.

Estes jovens oficiais mostravam seu inconformismo com a situação política e social do Brasil e desejavam afastar as oligarquias do comando da Nação. Só conseguiram sucesso no entanto por dois fatores: a crise econômica de 1929 que afetou o poder da oligarquia paulista e a rebelião das oligarquias periféricas; a do Rio Grande do Sul comandada por Getúlio Vargas e a da Paraíba liderada por João Pessoa. Aliados a Getúlio Vargas os tenentes tiveram por um momento no topo do poder.

A cultura da república


Pode-se dizer que a República não afetou num primeiro momento a cultura nacional que continuava presa aos padrões estéticos da Europa, especialmente da França. Os movimentos literários e poéticos denominados de Simbolista e Parnasiano eram tributários dos seus equivalentes europeus. São obras de exceção que marcam a cultura nos primeiros anos da República; especialmente "Os Sertões" de Euclides da Cunha e o romance urbano de Lima Barreto. Esta situação de atrelamento à estética européia vai sofrer uma brusca alteração com a Semana da Arte Moderna realizada em São Paulo, em fevereiro de 1922. Este evento é tido como o marco da emancipação estética e cultural da intelectualidade brasileira. Não só temas brasileiros passaram a adquirir uma preferência dominante (por exemplo: "Paulicéia Desvairada" de Mário de Andrade, "Macunaíma" do mesmo autor, "Cobra Norato" de Augusto Mayer, etc...) como também esboça-se uma estética nacional nas telas de Anita Malfati e Portinari. Na música erudita surge o nome de Heitor Villa-Lobos que traz para este campo uma temática nacionalista e verdadeiramente original.

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