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Ocupação e Povoamento
do Rio Grande do Sul
(XVII-XIX)

A história da ocupação e do povoamento do Continente de São Pedro do Rio Grande do Sul está demarcada pela questão fronteiriça. Região limite entre dois impérios: o espanhol, com sede em Buenos Aires no Rio da Prata, e o português, tendo o Rio de Janeiro como cidade-trampolim. Pelo Tratado de Tordesilhas de 1493, a linha que separava os dois reinos católicos passava, na sua extensão meridional, ao largo do litoral do atual estado de Santa Catarina.

Teoricamente a região que viria fazer parte do Rio Grande do Sul pertencia pois aos espanhóis. Portugal, por sua vez, sempre procurou estabelecer como sua real fronteira, como limite extremo do seu Império na América do Sul, não uma linha abstrata, mas sim a margem esquerda do Rio da Prata. Todos os conflitos entre o Brasil e seus vizinhos do Prata foram decorrentes dessas duas visões antagônicos sobre quais eram os marcos verdadeiros que os separavam.

Uma Fronteira Quente

O Rio Grande do Sul foi desde os seus começos - ao contrário dos demais estados brasileiros - uma "fronteira quente", isto é, local de disputa militar, de guerras e de arranjos diplomáticos, área conflituosa que se estendeu dos finais do século XVII até o século XIX, quer dizer, por quase dois séculos. Situação que começa somente recentemente a se inverter graças ao Mercosul, que tem por objetivo a integração econômica e não mais a rivalidade política.

Missões

Acredita-se que os padres da Companhia de Jesus tenham atravessado o rio Uruguai por volta de 1626, sendo que o pe. Roque Gonzales foi martirizado em 1628. Na sua ocupação, adotaram a alternância da cultura do erva-mate com a pecuária para harmonizar-se com os hábitos sedentários e nômades dos guaranis. Em 1637, o bandeirante Raposo Tavares destruiu as reduções situadas entre os rios Taquari e Caí, fazendo os jesuítas refluírem para as margens do Uruguai. A partir de então, o gado, sem interesse para os bandeirantes predadores e apreadores de índios, esparramou-se, tornando-se gado "chimarrão", selvagem, formando as Vacarias do Mar e as Vacarias dos Pinhais. O verdadeiro apogeu das Missões ocorre entre 1720-56, quando se estruturam os 7 Povos das Missões (S. Nicolau, S. Ângelo, S.Luiz, S. Lourenço, S.João Velho, S.Miguel, S. Borja), até sua destruição durante as Guerras Guaraníticas, iniciadas pela expedição luso-espanhola de 1756, tendo no cacique Sepé Tiaraju o seu principal defensor. A "época de ouro" das missões foi possível porque os bandeirantes tornaram-se garimpeiros nas Minas Gerais, e depois, tropeiros e criadores de gado bovino e muar, deixando de as importunar com suas expedições de caça ao índio. As Missões passam ao controle português pelo Tratado de Madri, de 1750, mas efetivamente a região missioneira só é ocupada em 1801.

Autoridades Portuguesas

Com a fundação da cidade de Colônia do Sacramento nas margens do Rio da Prata, em frente a Buenos Aires, em 1680, tem início uma rivalidade de século e meio entre o Império português e o espanhol pela posse da embocadura e pelas margens do Rio da Prata. Conflito, permeado por guerras e tratados, que se prolongará, inclusive após a independência da Argentina e do Brasil, até 1828, com o reconhecimento da autonomia da República do Uruguai. Para melhor poder apoiar a sua base de colônia, nas margens orientais do Rio da Prata os lusos, comandados pelo brigadeiro Silva Paes, fundaram Rio Grande, em 1737. E para afirmar sua presença definitiva, distribuíram estâncias entre os oficiais portugueses que davam baixa, ao largo da linha que partia de Rio Grande até as barrancas do Rio Uruguai.

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