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O Novo Mundo
do Padre Vieira

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   São Luís, capital do estado do    Maranhão, donde o Padre Vieira e seus    jesuítas foram expulsos em 1661
Durante uns oito anos, de 1653 a 1661, o padre Vieira apostolou entre os índios do Maranhão e do Amazonas. Além de convertê-los, tentou inutilmente protegê-los dos maus tratos e da escravidão, o que gerou uma inimizade sem fim entre os jesuítas e os colonos portugueses.

Criando embaraços

"...porque havendo Deus criado o mundo na primeira criação por si só,... nesta segunda criação tomou por instrumentos os portugueses, quase que pela mesma ordem, e com as mesmas circunstâncias, com que no princípio tinha criado o mundo."

Padre Vieira - Sermão da Epifania, Lisboa, 1662

Anos antes, em janeiro de 1653, a contragosto, uma nau trouxera o padre Vieira ao Maranhão. Anos depois, em 1661, também constrangido, embarcaram-no à força de volta a Portugal. Ele e mais 32 jesuítas. Os povoadores do então Estado do Maranhão não queriam mais saber daqueles intrometidos. Os inacianos haviam criado tantos embaraços a que os portugueses de lá escravizassem os índios (só toleravam os prisioneiros das "guerras justas"), que eles, furiosos, de pedras em punho, terminaram por despachá-los para Lisboa. Que os ventos os levassem. Padre Vieira ao retornar, desembarcando em 1661, esperava um clamor de indignação da corte para com os maus tratos que padeceram na colônia. Mas que nada. Acolheu-os a indiferença e um dar de ombros.

Um Sermão Questionador

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   O padre Vieira comparou    os reis portugueses com    os reis magos
O polêmico evangelista, porém, podia ter perdido seu tempo naquelas terras bravas, mas estava longe de ter-lhe sumido o ardor. A hora do acerto de contas com a alta hierarquia portuguesa chegou na manhã do seis de janeiro de 1662, o Dia da Epifania. Hei-lo na Capela Real. Era a sua arena. A sua frente, a regente Luísa de Gusmão, mãe do aloprado Afonso VI. Como quase sempre fazia em seus sermões, o padre Vieira besuntou com mel as primeira palavras ditas, tratando de dar a sua versão da descoberta do Novo Mundo.

Inspirando-se na passagem dos três reis magos, os viajantes que anunciaram aos gentios o nascer de Jesus, Vieira observou que o venerável Béda dissera certa vez que cada um deles representava um dos povos conhecidos do mundo que, orientados pelo cometa, vieram a dar no presépio de Belém. O que deixara o ouro com o Deus-menino era o legatário dos europeus, o que entregara a mirra era prócer dos africanos, e o que presenteara-o com incenso, representava os asiáticos. Mas onde então estavam os americanos? Como furtara-se Deus da existência dessa massa de gente que por aqui os europeus encontraram?

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