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1889: Machado de Assis e a República


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Nenhuma revolução se faz como a simples passagem de uma sala para outra; as mesmas revoluções chamadas de palácio trazem alguma agitação que fica por certo prazo, até que a água volte ao nível.

Machado de Assis - Esaú e Jacó, 1901

A situação do Rio de Janeiro às vésperas da proclamação da república, foi acompanhada em seus principais eventos por Machado de Assis na sua novela "Esaú e Jacó", de 1901. É a história de dois gêmeos que divergiam em tudo, inclusive entre a preferência pela monarquia ou a república. Quem melhor situa-se naquele cenário é o Conselheiro Ayres, um dos seus personagens favoritos, um diplomata aposentado que volta para o Rio de Janeiro depois de passar anos no exterior, através de quem o escritor vê os acontecimentos que nos conduziram à republica de 1889.

O Salomão do bairro

Em cada bairro de qualquer cidade, há o seu homem importante, o seu figurão. Geralmente trata-se de algum aposentado, retirado de um ofício ou carreira digna, bastante sábio para já ter-se recolhido para as delícias da vida privada. Todos os moradores o consideram. Quando não o transformam numa espécie de Salomão local, a quem se socorrem em momentos de aprêmio de dinheiro, de coração ou das coisas da política. A morada do Conselheiro Ayres, diplomata reformado, personagem de Machado de Assis, era assim. Desde que ele refugiara-se numa casa no Catete, bairro histórico do Rio de Janeiro, tornou-se local de discreta romaria atrás da opinião daquele homem do mundo, de alguém que parecia saber tudo, que já vira o que ninguém mais vira.


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Militares entregam ao imperador a carta de exílio

A Água Férrea


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Vista do Morro da Glória, Rio de Janeiro século XIX

Gastão Cruls, que deixou-nos excelente descrição social da capital imperial, disse que para os lados do Andaraí, o bairro próximo ao do Conselheiro, havia uma fonte de água férrea, isto é, de água mineral, descoberta pelo próprio imperador D.Pedro I, no tempo em que metia-se em cavalhadas pelos matos da região. De certa forma era isso que procuravam no Conselheiro, beber da sua água férrea, da sua sábia experiência de diplomata. Imagine-se, pois, quando, em novembro de 1889, deu-se a proclamação da república. Não parou o entre e sai na casa do Conselheiro. Quem primeiro lá pôs os pés foi o seu Custódio, dono de um tradicional casa de bolos e doces do bairro, padroeiro de uns pastéis de Santa Clara divinos.

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