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Franceses na América

reprodução (tela de Asher B.Durand)

   Uma natureza exuberante

Dos muitos viajantes franceses que vieram para América, registram-se os testemunhos de Tocqueville e do seu ex-auxiliar, o conde de Gobineau. Um deles deixou um clássico ensaio sobre os Estados Unidos, o outro apenas impressões de mau humor sobre sua estada no Brasil.


"Quando a natureza física não está impregnada de natureza moral..."

conde Gobineau, 1870

Tocqueville na América do Norte

Chegando em Nova Iorque em maio de 1831, depois de uma maçante viagem marítima de 37 dias, vindo à bordo de um veleiro do Havre, na França, o jovem Alexis de Tocqueville não se impressionou com o que viu. A cidade, despida então de qualquer prédio relevante, pareceu-lhe um imenso subúrbio esparramado pelas margens do Rio Hudson. O que lhe causou admiração foram
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   Tocqueville (1805-   1859)
os bosques ao redor. Para qualquer lado enxergava-se extensas florestas que ele tratou de ir conhecer. Muita coisa delas ele já sabia de leitura, especialmente as descrições feitas por um outro francês, Chateaubriand, que estivera na América em 1790. Passear em meio àquelas árvores altíssimas, que os raios do sol só timidamente ousavam penetrar, era como uma volta ao Éden. Era sentir-se o primeiro homem. Ver-se na pele de Adão.

Em Busca do Bom Selvagem

Tocqueville porém não era só dado a poesias. A pretexto de estudar o sistema penitenciário, viera atrás do mito do bom selvagem. Haveria instituições na América que garantissem a felicidade do homem comum, como tanto alardeavam na Europa? Porém o que ele encontrara por lá, o governo dos simples, como lá era praticado, bem pouco devia, concluiu ele, aos ares do Novo Mundo. A tão celebrada inexistência de hierarquias sociais entre os norte-americanos, que raramente usavam no trato corriqueiro as palavras mister ou madame, nada mais eram senão conseqüência, se bem que mais radical, dos hábitos de liberdade dos ingleses. Quando eles aportaram na América, a partir do século XVII, já traziam na bagagem um acervo de liberdades (de imprensa, de organização e reunião, de religião) desconhecido da maioria dos outros povos.

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   A caça ao bisonte nas pradarias americanas

Relação Ambígua com a Democracia

Tocqueville, entretanto, estabeleceu uma relação ambígua com as práticas políticas que por lá encontrou. De um lado admirou-se da organização do povo, por outro, como aristocrata que era (seu bisavô Malesherbes defendera inutilmente Luís XVI na Convenção em 1793), enregelou-se. Sentiu frente àquilo um "terror religioso", percebendo que o avanço da democracia liquidaria em definitivo com sua casta. Não foi muito diferente, se bem que por outras razões, a reação de um outro francês que também viera para a América, só que para a parte Sul do Novo Mundo, para o Brasil. Casualmente um intelectual que trabalhara, ainda jovem, no gabinete de Tocqueville (quando este fora ministro das relações exteriores da França). Chamava-se Joseph Artur de Gobineau que, ao desembarcar no Rio de Janeiro em 1869, missão que ele considerava um castigo, já viera precedido pela fama de ideólogo do racismo (o que naquela época não constrangia ninguém). De fato, uns anos antes, entre 1853-1855, ele publicara o seu célebre Ensaio sobre a Desigualdade das Raças Humanas, que viria a se tornar na reverenciada bíblia dos racistas.

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