Introdução | As grandes etapas da economia brasileira | O petróleo é nosso! | A CEPAL e os estruturalistas | O tripé autoritário | A retomada do (neo)liberalismo | Bibliografia
Estatizantes e Privatistas
1930-2000
As Grandes Etapas da Economia Brasileira
A etapa agro-exportadora
1822-1930
Pertencente ao ordenamento econômico mundial e sendo um ativo participante do comércio colonial, o Brasil não ficou de fora deste debate sobre a presença do estado na atividade econômica, seja como elemento regulador seja como empreendedor. De uma maneira bem sintética podemos dizer que o Brasil desde a Independência até a crise de 1929/30 alinhou-se entre os seguidores da doutrina econômica liberal. Acreditava-se que o pais obrigava-se a uma posição fixa no cenário internacional, uma região fornecedora de produtos agrícolas e minerais a serem exportados. No período colonial eles foram basicamente a cana-de-açúcar no Nordeste e o ouro e os diamantes das Minais Gerais. No período da Independência, com o desaparecimento do ouro e dos diamantes, emergira o café como seus principal produto exportador, seguido do algodão, do cacau e de carnes e couros. Dada sua vastidão territorial e sua tradição, o Brasil encontrava-se “vocacionado para a agricultura”, abandonando qualquer veleidade de acelerar um processo de industrialização além daquelas consideradas básicas para amparar a produção agro-exportadora. Socialmente, em apoio aberto a esta doutrina liberal de obediência à “vocação natural” agrícola, encontravam-se os fazendeiros do café, os senhores de engenhos e usinas e os estancieiros e criadores de gado em geral. Seu objetivo era ampliar e melhorar suas lavouras e suas pastagens e com isto poder importar as apreciadas manufaturas e demais artigos de consumo estrangeiros. Apoiavam-nos nesta posição os comerciantes em geral, para quem era indiferente a procedência dos produtos que vendiam. Preferiam que fossem estrangeiros porque assim tinham um retorno garantido.
A presença do estado lhes era útil basicamente para dar apoio a uma política de sustentação de preços, para evitar que eles se depreciassem com o aumento da concorrência internacional (como ocorre com o Acordo de Taubaté, em 1906). Mas de resto seus ideólogos manifestam completo repudio a qualquer outro tipo de presença estatal. Assim quando o governo da Revolução de 30 instituiu a legislação trabalhista, tentando proteger os trabalhadores do despotismo fabril, os donos das fábricas queixaram-se que aquilo era uma interferência indevida na propriedade privada. Em geral pode-se dizer que os liberais reclamam da intervenção estatal quando esta é favorável aos trabalhadores ou aos consumidores, mas recorrem a ele, pedindo proteção, quando se sentem ameaçados por outros competidores que são mais fortes.
A etapa da industrialização
1930-1990
Durante quase toda a década de 1930 o brasil se viu as voltas com os problemas causados pela Grande Depressão que atingiram violentamente a valorização do café e demais preços agrícolas. Num clima internacional crescentemente belicoso e de insegurança nas relações internacionais, começou a pensar-se com mais insistência na possibilidade do Brasil iniciar um processo de industrialização que o fizesse ficar menos fragilizado pela desordem mundial (ascensão do nazismo na Alemanha em 1933, invasão da Etiópia pelos fascistas italianos em 1936, derrubada da republica espanhola em 1936, ataque japonês a China em 1937). A idéia era a autonomia nacional a ser alcançada em setores considerados estratégicos (aço, minas e energia e, finalmente, petróleo).
Getúlio Vargas líder da Revolução de 30 e ditador durante o Estado Novo (1937-45), decidiu-se pela construção de uma usina siderúrgica para dotar o Brasil de autonomia na produção do aço. Depois de várias negociações com a empresa americana US Steel, resolveu criar uma empresa estatal: a Siderurgia de Volta Redonda (RJ), que contou, em 1941, com um empréstimo do presidente Roosevelt de U$ 20 milhões de dólares e que foi inaugurada em 1945.
O papel empreendedor foi totalmente assumido pelo estado. Em parte isto se deveu ao desprestígio em que se encontrava o liberalismo então que muitos consideravam como o maior responsável pela Grande Depressão. A instalação da usina siderúrgica de Volta Redonda foi um dos tripés em que afirmou-se a industrialização brasileira, os dois outros foram implantados no segundo governo Vargas (1951-54).
| Setores Estratégicos |
Aço: Siderúrgica Volta Redonda |
Minas e Energia: Vale do Rio Doce/Eletrobrás |
Petróleo: Petrobrás |
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