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A Era Pombal


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O marquês do Pombal

Em 1999 registrou-se a passagem do terceiro centenário do nascimento do marquês do Pombal, seguramente o maior estadista do Império português. Atuando no vácuo deixado pelo catastrófico terremoto de 1755 que destruiu Lisboa, Pombal ampliou seus poderes no sentido de fundar um moderno Estado secular numa das nações mais atrasadas da Europa do Século das Luzes.

Das cinzas nasceu o poder de Pombal


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Lisboa, vista do porto e do paço

O ano de 1756 assinalou uma profunda alteração na política interna de Portugal, com reflexo em todo o seu império colonial. Naquele ano, no reinado de dom José I, Sebastião de Carvalho, o conde de Oeiras (obtido em 1759), mais tarde marquês de Pombal (em 1769), tornou-se secretário de Estado dos Negócios do Reino de Portugal, equivalente hoje a ser um primeiro-ministro. Até então ele fizera carreira diplomática em várias cortes européias e ninguém poderia prever que aquele homem acostumado aos salões e aos gabinetes fosse dotado da energia e determinação que demonstrou ao ser guindado para o Secretariado dos Negócios Estrangeiros, em 1750, em seguida, para o poder total.

O Déspota Esclarecido


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Dom José I e a família real

Fora-se dom João V, o rei bonachão, carola e perdulário, morto em 1750, sendo sucedido no mando, de fato, pelo ministro tirânico de dom José I. Mandão e autoritário, Pombal, classificado unanimemente como um dos "déspotas esclarecidos" da Europa das luzes, praticou, nos 21 dos 27 anos que empalmou o governo, a mais rigorosa concentração do poder que Portugal até então conhecera (só equivalente à ditadura de Oliveira Salazar no século XX).

O Terremoto e a Reconstrução

O Reino luso, terrivelmente abalado pelo terremoto, seguido de um maremoto, que destruiu Lisboa em 1755 (3/4 dos prédios ruíram), assistindo, impotente, os proveitos do ouro brasileiro ano a ano diminuírem, não podia, segundo ele, mostrar vacilação. Consta que Sebastião José ganhou o cargo de confiança total do rei quando, em resposta a Sua Majestade, ainda em estado de choque, sobre o que deveria fazer-se em meio ao escombro e ruínas que Lisboa havia se transformado, disse-lhe: "enterrar os mortos e cuidar dos vivos!"


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Lisboa devastada, 1755

Entendeu ele, porém, que para executar tal tarefa de Hércules - varrer o entulho, reconstruir Lisboa, reordenar o império - era preciso bater forte removendo poderosos obstáculos: o brasão dos aristocratas e a roupeta preta dos jesuítas. Na sua concepção estratégica era-lhe insuportável a presença de uma casta de nobres agindo independente da vontade do rei, e, mais ainda, a existência de uma poderosa ordem religiosa como a Companhia de Jesus, completamente autônoma, vivendo à margem da autoridade do Estado. Como lembrou Charles Boxer, "Pombal não admitia nenhuma tirania além da sua".

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