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O século do ouro
Vila Rica de Ouro Preto
Do Carmo a Vila, e a Vila do Ouro Preto
Formarão das conquistas o projeto: Junto ao Rio,
a que as Velhas deram nome
Cláudio Manuel da Costa - Vila Rica (Canto IX)
A política da Coroa foi procurar fixar a população em aldeamentos; para tanto, o Governador Antônio Albuquerque tratou de fundar vilas, tais como a do Ribeirão do Carmo, chamada Mariana (em abril de 1711), a Vila Rica de Ouro Preto (em julho de 1711), a Vila Real de Sabará (também em julho de 1711) e, entre 1713-18, as vilas de Nova Rainha, de Pitanguí, a de São João del Rei, de São José e a Vila do Príncipe.
De certa forma esse trabalho foi facilitado pela mudança na extração do ouro. Numa primeira fase, de 1693-1720, os faiscadores formavam uma população ambulante, cigana, que se deslocava atrás do ouro aluvial, indo de lavra em lavra, de barranca em barranca. Posteriormente, após 1720, com o esgotamento desse processo, socorreram-se do ouro da montanha que exigia outros recursos técnicos de mineração, escavação e estocagem, obrigando os garimpeiros a construir suas casas próximas das datas de minas a que tinha direito explorar.
Os arcadianos: situada na Serra de Ouro Preto, esporão da Serra do Espinhaço, a 1.061 m. de altitude, Vila Rica de Ouro Preto converteu-se rapidamente no maior garimpo da lavra do ouro da região. A partir de 1711, tornou-se a capital da Província, situação que manteve até 1897. Nela construíram-se as mais belas igrejas das Minas Gerais, tornando-se um centro cultural e civilizador. Acolheu as liras musicais, os escultores, pintores, artesãos e os arquitetos. Foi também a sede do primeiro movimento literário expressivo do Brasil, a chamada Escola Mineira, ou Movimento Arcadiano, que teve em Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga e Alvarenga Peixoto, seus representantes mais retumbantes e consagrados, tornando-se o núcleo da consciência nacional, quando um grupo de intelectuais, funcionários, padres e militares, imaginaram a possibilidade de livrar as Minas do colonialismo português, no malsucedido episódio da Inconfidência Mineira de 1789.
A inconfidência: a revolta anti-colonialista, antecedida pela rebelião malograda de Felipe dos Santos de 1720, também na Vila Rica, deveria eclodir no dia do lançamento do odiado imposto da derrama - uma taxação suplementar criada pelas autoridades portuguesas para completar a cota tributária da região. Traídos os conspiradores por Joaquim Silvério dos Reis, que os denunciou em carta às autoridades, foi Joaquim da Silva Xavier, o Tiradentes, um alferes, o único dos prováveis insurgentes a ser executado. Foi enforcado e esquartejado no Rio de Janeiro em 21 de abril de 1792, sendo seus restos expostos na estrada que ligava o Rio de Janeiro às minas. Os demais patriotas foram condenados ao degredo em Angola e Moçambique.
Mestres do barroco: Ouro Preto também foi onde dois grandes mestres da arte barroca atuaram: Mestre Aleijadinho (considerado o único gênio artístico do Brasil colonial), cujas obras-primas podem-se apreciar na Igreja de S.Francisco de Assis e na fachada da Igreja da N.S.a. do Carmo, e Mestre Ataíde, pintor das abóbadas das Igrejas. Na musica, destacaram-se José Joaquim Emérico e o Pe. José Maurício (considerado o primeiro da tríade de grandes compositores brasileiros, juntamente com Carlos Gomes e Villa Lobos).
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