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O século do ouro
Evolução demográfica da colônia
| Ano |
Estimativa de população |
| 1690 |
184.000 a 300 mil |
| 1780 |
2.523.000 |
| 1798 |
3.250.000(*) |
(*) subdivididos em: brancos 1.010.000( 31%); índios 250.000(7,7%); libertos 406.000 (12,5%); pardos (escravos) 221.000(6,8%); negros (escravos) 1.361.000(42%).
Fonte: Contreras Rodrigues (in R. Simonsen - História econômica do Brasil, p. 271)
Os caminhos das minas: dois caminhos para chegar às minas logo foram estabelecidos, o Caminho Geral do Sertão, que acompanhava o vale do Paraíba através da Serra da Mantiqueira e um outro, chamado de Caminho Novo, por Pindamonhangaba, de onde se levava uns 20 dias para chegar às lavras. Para melhor administrar e fiscalizar os achados, a Coroa indicou como seu representante um Procurador da Coroa e um Guarda-mor. Também estabeleceu uma Casa de Quintar, para arrecadar o quinto, o imposto real. Essa Casa, também conhecida como das Contas, tinha um administrador, um escrivão, e um fundidor que transformava o ouro em barras, afixando-lhe o cunho real.
Emboabas: inevitavelmente, atritos deram-se entre os paulistas , os primeiros chegados às lavras, e os emboabas, os reinóis ou adventícios, recém vindos de fora. Diga-se que desde o início os paulistas tentaram se precaver fazendo com que a Gente de Algo da Paulistânia enviasse, como apoio da Câmara local, em 16 de abril de 1700, uma solicitação ao governador da praça do Rio de Janeiro, na intenção de resguardar para eles as minas recém encontradas, expondo os direitos planaltinos acerca das terras minerais e pleiteando para os mesmos o monopólio delas.
Mas com a chegada interminável, quase a galope, de forasteiros, o monopólio deles tornou-se insustentável. Numa população estimada, ao redor de 1710, de 70 mil, os paulistas não perfaziam mais de mil. Em pouco tempo a região virou o País da Desordem. Um dos governadores-gerais da época, D.João de Lencastre estimou, em carta ao reino, ser perigoso para os interesses de segurança de el-Rei a enorme concentração de riqueza e opulência em mãos dos paulistas, pois são capazes de apetecer sujeitar-se a qualquer Nação estrangeira que.... os conserve na liberdade e na insolência com que vivem Deu-se então, como resultado das crescentes desavenças e rivalidades, a chamada Guerra dos Emboabas (1709-10), quando a Coroa apoiou sua gente contra os paulistas, aproveitando-se para exercer um controle mais firme, semi-policial sobre a região.
A diáspora paulista: derrotados, muitos dos paulistas resolveram emigrar para outras áreas, em busca de outros campos, como os de Goiás e do Mato Grosso, onde novas jazidas foram descobertas, ou ainda dedicar-se à pecuária e ao tropeio do gado, vindo se estabelecer nas partes mais meridionais da colônia, nos campos de Curitiba e, bem mais ao sul, no atual Estado do Rio Grande do Sul. Vezes sem conta entraram no Uruguai a dentro e mesmo nos atuais estados argentinos de Corrientes e Missiones, para chegarem-se às bestas. Aproveitaram-se ali da existência de imensas manadas de gado chimarrão, isto é, animal selvagem, xucro, que crescia vegetativamente nas várias vacarias conhecidas: a das missões, as dos pinhais e as do mar. Assentaram-se eles como estancieros, criadores, tropeiros e comboieros de gado, que vendiam nas feiras de Sorocaba. Outros ainda irão se fixar em regiões mais próximas às minas, tanto no interior de São Paulo dedicados às drogas da terra, como na atual área do triângulo mineiro, também caracterizada pela sua terra apropriada à criação.
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