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A Descoberta do Brasil

O Descobridor

Por se levantar a gloria/ das linhagens mui honradas
Que por obras mui louvadas de si deixaram memória
A quem lhe siga as pegadas/ Suas armas decifrando,
Algum irei lembrando/ donde a nobreza lhe vem
Por que faça quem a tem pola suster , bem obrando

De púrpura celestial sobre prata mil luzente,
a geração mui valente que delas se diz Cabral....

(João Roiz de Sá, algumas linhagens de Portugal)

Pedro Álvares Cabral


Pedro Álvares Cabral, de quem não se sabe muito, era de família nobre, da “melhor casta” como diziam então. O sobrenome adequava-se ao brasão da casa - duas cabras de prata num fundo avermelhado. Nascido no castelo de Belomonte, provavelmente em 1467 ou 8, desde pequeno intimou-se com as coisas guerreiras e os atributos do mar. Entrou bem jovem na corte de João II, como moço fidalgo, onde estudou cosmografia e artes navais, convivendo com as gentes dos oceanos que a freqüentavam. Casou com D. Isabel de Castro, uma mulher rica de poderosa família, o que fez com que aumentasse seu gosto faustoso “de grandezas, possuidor de grande estado”. D.Manuel nomeou-o fidalgo do conselho e depois capitão-mor da expedição para as Índias.

Provavelmente os seus modos imponentes, ajudados pela “desmedida estatura” herdada do pai Fernão Cabral, e seu aprumo no vestir, contribuíram para a sua escolha. El-Rei esperava impressionar os príncipes do Oriente com a figura soberba de Cabral. O gosto dele pelo formalismo e pelos aparatos do poder é que explicam ter ele recebido dois assustados índios na nau capitânia, ancorada no litoral brasileiro, com um colar de ouro ao pescoço, sentado majestosamente numa cadeira-trono do seu camarote, com os oficiais agachados ao seu redor, sobre um fino tapete.

Quem também o recomendou ao rei, enaltecendo-o, foi o ilustre Afonso de Albuquerque, que dele disse: “é homem que eu sei certo que terá vossa alteza contentamento de sua pessoa e de todas as coisas honradas que nele há para algumas necessidades de vosso serviço que lhe encarregardes...e que em todos os feitos em que ele puser as mãos, que vós há de merecer mercê..”( in Cartas de Afonso de Albuquerque)

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