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Em apenas oito meses de governo, Bush colocou quase todo o mundo em oposição a suas políticas, inclusive as organizações ambientalistas, ao abandonar o Protocolo de Kyoto sobre a emissão de gases e o aquecimento terrestre. Ou seja, desconsiderou um dos problemas mais graves que afeta o planeta e, portanto, que ameaça os próprios EUA. Recentemente, o país não foi mais reeleito para a Comissão de Direitos Humanos da ONU, um sinal bastante forte que a administração republicana simplesmente ignorou.

No Oriente Médio, há um levante palestino que já dura um ano, com uma espiral de violência inédita e as negociações de paz bloqueadas entre Israel e a Autoridade Nacional Palestina. Os "falcões" falam mais alto entre os palestinos, e o primeiro-ministro Sharon é um inimigo declarado do processo de paz. Repressões e atentados se sucedem, num banho de sangue sem fim. E os EUA, que são aliados de Israel e das monarquias petrolíferas árabes, simplesmente não têm uma política positiva para a região, colocando-se numa posição de omissão que desagrada aos dois lados.

Enquanto abandonam qualquer forma de mediação efetiva na região, no plano mundial aparecem em defesa de Israel, como na Conferência da ONU sobre o Racismo, realizada recentemente em Durban, na África do Sul. Mas há também o regime afegão dos Talibãs, que os EUA, Paquistão e Arábia Saudita apoiaram, e que agora se volta contra os EUA. O líder da oposição anti-Talibã sofreu um atentado há poucos dias, enquanto o regime de Kabul, paralelamente, propunha a troca de prisioneiros de ONG´s ocidentais por um terrorista preso nos EUA.


Osama Bin Laden
Osama Bin Laden, um multimilionário saudita e fundamentalista que vive no Afeganistão, e que estaria entre os mentores de anterior ataque ao World Trade Center e a embaixadas americanas na África (além de ter ameaçado constantemente os EUA), passou a ser considerado o principal suspeito. Este homem, que já trabalhou para a CIA durante a guerra contra os soviéticos, possui o know how e recursos necessários para tal ação. Já os grupos palestinos, dificilmente teriam a logística suficiente para realizar um atentado como o de Nova York e Washington, nem ganhariam com isto, pois o mundo se voltaria contra eles e sua causa sofreria uma derrota.

Todo este quadro foi construindo no imaginário americano um "choque de civilizações", expresso no livro homônimo de Samuel Huntington. A conjunção da civilização confuciana com a islâmica seria, segundo sua visão, a maior ameaça ao Ocidente, cuja instituição unificadora é representada pela Otan, como afirma. A recente produção cinematográfica americana contribui para isto, com esteriótipos como o dos árabes como terroristas, os latino-americanos como traficantes internacionais e os asiáticos como os novos ditadores. Acrescente-se as ações diplomático-militares dos EUA, antes decritas, e está produzido o choque de civilizações.
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