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A política americana de direitos humanos e a defesa da pena de morte constituem outro ponto particularmente sensível aos europeus. Na Europa, o conceito de cidadania é bem mais desenvolvido que nos EUA, e a atitude americana representa uma violência e uma regressão, segundo a concepção européia. Por isto, os Estados Unidos não foram reeleitos para o Comitê de Direitos Humanos da ONU. Da mesma forma, a diplomacia da Casa Branca em relação ao Oriente Médio tem contrariado a perspectiva da UE. A falta de uma verdadeira vontade política dos republicanos em interromper o ciclo de violência e impulsionar o avanço do processo de paz Israel-OLP e o cumprimento, pelo governo Sharon, do já acordado, bem como a manutenção do embargo econômico ao Iraque, tem levado Bruxelas a certas iniciativas nestas áreas. As sanções contra o regime de Saddam Hussein apenas puniram a população iraquiana, e os europeus são pelo seu fim.
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George W. Bush e o presidente polonês Aleksander Kwasniewski passam por guarda de honra durante a chegada do líder americano ao palácio presidencial de Varsóvia.
(15/junho/2001)
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Além destes aspectos mais específicos, a crescente competição entre as duas regiões, nos marcos da globalização, tem sido exacerbada. As crescentes divergências comerciais, as pressões pela abertura dos mercados europeus na área da agricultura e da indústria cultural e a competição tecnológica (envolvendo até alta espionagem), têm tensionado as relações entre os Estados Unidos e a União Européia. A equipe Bush tem tratado este tema sem as devidas mediações e sutilezas, buscando impor o peso americano sobre as vacilações européias. Além disso, o dólar tem sido empregado como um instrumento de enfraquecimento do Euro, a moeda única européia, além da utilização dos políticos pró-americanos da Europa no sentido de bloquear as propostas de aprofundamento da União, tal como a federação proposta pelos alemães e a criação de um exército europeu independente da OTAN.
Finalmente, a iniciativa americana de criação de uma Área de Livre Comércio das Américas é percebida pela UE como um instrumento de afirmação da supremacia dos EUA, e um instrumento para afastar os europeus da América Latina. Quando o México aderiu ao NAFTA, a UE perdeu imediatamente quarenta por cento do seu comércio com este país.
Em certa medida, os europeus necessitam dos EUA para seu equilíbrio interno, e o velho continente vinha cedendo ou, ao menos, evitando um confronto explícito com seu antigo "protetor". Mas a evolução dos acontecimentos, especialmente a partir da instalação da administração Bush, tem levado a UE a divergir abertamente de Washington. A reação pública de rechaço à visita do presidente americano à sede da Otan e à cúpula européia de Gotemburg, ainda que partindo de grupos ativistas, retratou o estado de espírito da opinião popular e, mesmo, dos governos. Bush logrou a façanha de atrair até mesmo a hostilidade dos dóceis europeus, que têm enviado seus sinais de advertência, tentando obter uma correção de rumos em Washington.
06 / 2001
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