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As divergências EUA - União Européia
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Bush come chocolates em loja de Bruxelas, na Bélgia, em dia de reuniões com a Otan. (13/junho/2001)
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A recente visita do presidente George W. Bush à Europa evidenciou as profundas divergências existentes entre o velho continente e os Estados Unidos. Estas divergências são de várias ordens, e se radicalizaram durante a atual administração republicana. A questão do meio ambiente e do Protocolo de Kyoto sobre o aquecimento terrestre, o escudo antimísseis e as tensões com a Rússia e a China, a política relativa aos direitos humanos e a pena de morte, a diplomacia para o Oriente Médio, a afirmação de uma nova hegemonia unilateral norte-americana, a competição tecnológica, os antagonismos econômico-comerciais (muitas vezes levados à Organização Mundial de Comércio/OMC) e o estabelecimento da ALCA, são alguns dos pontos de tensão entre as duas margens do Atlântico Norte.
Com relação ao item ambiental, a recusa americana em assinar e cumprir as determinações de redução da emissão de gases feriu um dos valores mais sensíveis aos europeus. Sendo um continente superpovoado, onde ocorreu a primeira revolução industrial, a Europa está na vanguarda das lutas ambientais. É preciso considerar também que os EUA, com apenas cinco por cento da população mundial, consomem um terço da energia, respondendo, portanto, por igual percentual da poluição. Neste sentido, a recusa americana visa manter o nível de desenvolvimento atingido pelos EUA, deixando aos demais o ônus de reduzirem a poluição, e, conseqüentemente, seu desenvolvimento. Ou seja, uma estratégia para manter a liderança americana, sem grandes custos tecnológicos, que recairão sobre os demais. No caso do Terceiro Mundo, sem recursos tecnológicos, combate à poluição significaria menos desenvolvimento e mais pobreza.
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Pessoas protestam durante vista de Bush à Suécia, em Goteborg. (14/junho/2001)
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Já o escudo antimísseis é considerado claramente como uma estratégia de manter uma hegemonia exclusivamentea americana, em lugar de um sistema mundial multipolar, no qual a UE teria um papel relevante. A Otan seria o instrumento de tal política no caso da Europa. Sua expansão para o leste, incorporando os antigos países socialistas, se daria paralelamente à expansão da UE. Ou seja, Bruxelas pagaria a conta da estratégia americana, que possui como um de seus objetivos manter a presença no continente, controlando os europeus. Além disso, o escudo afronta a Rússia, que tende a radicalizar sua diplomacia e associar-se à China (a outra vítima de tal política), criando um sério problema para a Europa, que sofreu duas guerras mundiais no século XX. Washington está gerando tensões na casa dos outros. O nacionalismo chinês também seria exacerbado, o que não interessa aos europeus.
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