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EUA, China e Rússia: o retorno da guerra fria?
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Manchete: a colisão entre avião espião americano e um aparelho de combate chinês estampou os jornais chineses no dia primeiro de abril. (02/abril/01)
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Os recentes incidentes envolvendo um avião espião norte-americano no Mar da China Meridional e a expulsão de diplomatas dos Estados Unidos e da Rússia sob acusação mútua de espionagem tensionaram o cenário internacional, reintroduzindo um clima de guerra fria. Pouco mais de uma década após o encerramento da rivalidade entre as duas superpotências e em menos de três meses depois de ascender ao poder, através de uma eleição escandalosa, o presidente George W. Bush conseguiu gerar uma onda de críticas aos EUA, comprometendo o legado de seu pai.
O líder republicano dos Estados Unidos, em meio ao retorno da recessão americana, tomou uma série de iniciativas diplomáticas "pouco diplomáticas", produzindo conflitos e incidentes internacionais. Esta atitude produziu um estado de tensão político-militar internacional de considerável intensidade, comprometendo os meios empregados pela administração de Bush (pai) e pelas duas administrações democratas de Clinton para a construção de um novo sistema mundial em que a hegemonia americana pudesse reafirmar-se a um baixo custo.
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Estudantes coreanos protestam contra as bases militares americanas na Coréia do Sul, em Seul. (07/abril/01)
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Na Ásia, Bush adotou uma atitude de confronto com a Coréia do Norte, que se encontrava em vias de estabelecer relações diplomáticas com Washington, levando-a a responder no mesmo tom e a, possivelmente, retomar seu projeto nuclear e de mísseis. Tal política desgostou, igualmente, a Coréia do Sul, interessada numa distenção com a do Norte (sunshine policy) e na discussão do status das forças americanas estacionadas em seu território. Esta estratégia, bastante primária, visa recriar tensões como forma de manter suas tropas, num esquema que está voltado mais contra a China.
Para Taiwan, a Casa Branca voltou a vender armamento sensível, estimulando novamente um discurso independentista e provocações antichinesas, como a visita do Dalai Lama a Taipé, reaquecendo o problema do Tibet. Em resposta, o governo chinês aumentou significativamente seu orçamento de defesa. Ao mesmo tempo, Washington tem fomentado incidentes no Vietnã, um país que mantinha com Washington excelentes relações, como forma de contrabalançar o poderoso vizinho chinês. Assim, Hanói advertiu os EUA sobre ingerências internas, o que, logicamente, produzirá uma maior aproximação sino-vietnamita.
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