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Avião militar norte-americano F/A-18 Hornet sobrevoa o Sul do Iraque.
Os recentes bombardeios anglo-americanos ao Iraque, uma vez mais, provaram que pouco têm a ver com o regime de Saddam Husseim. Por que atacar um país enfraquecido, isolado e sem capacidade de resposta? Sem dúvida, a situação do Iraque está mudando, pois os outros três membros do Conselho de Segurança da ONU (França, Rússia e China), já se manifestaram contrários à manutenção do embargo econômico, em certa medida acompanhados pela União Européia e pela maioria dos países árabes. Inúmeros vôos de solidariedade têm chegado a Bagdá, incluindo a visita do presidente venezuelano Hugo Chávez.

Isto implicaria na necessidade de uma reafirmação da posição de Washington e de Londres. Mas ocorre que a situação regional também está evoluindo. A chegada dos republicanos ao poder dá nova densidade às relações da Casa Branca com os países árabes, especialmente as petromonarquias, o que certamente repercutirá no processo de paz entre Israel e OLP, sob a forma de uma pressão maior sobre o governo Sharon. Este declarou que a política americana deveria levar em consideração toda a região, sem priorizar o processo de paz.


General Muhammed, comandante da defesa aérea iraquiana.
Os personagens se repetem ou se sucedem: o general Collin Powell, comandante americano na Guerra do Golfo, visita a região, enquanto o filho do presidente Bush encontra-se no poder em Washington. Assim, a demonstração de força também constitui uma prova de apoio em defesa de Israel (testes com os mísseis Patriot), em caso de necessidade. Israel poderia ceder às aspirações nacionais palestinas, em troca de garantias de segurança regional.

O décimo aniversário da libertação do Kuwait coincide com quase onze anos de embargo ao Iraque, um embargo que apenas reforçou o poder de Saddam e constitui um precedente juridicamente perigoso. Também foi aplicado à Líbia, Iugoslávia, Coréia do Norte e Irã, geralmente a partir de justificativas bastante discutíveis, vulgarizando o emprego de um recurso excepcional, que somente é utilizado contra os inimigos, ou rough states, e nunca contra aliados, como a Turquia na questão curda. A maioria destes países está normalizando suas relações com Washington, restando apenas o Iraque.

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