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11 de agosto de 2003

Relações internacionais: o estudo e a profissão

As relações internacionais constituem uma área em acelerada expansão no Brasil. A oferta de cursos de graduação e pós-graduação, a publicação de obras especializadas e o mercado de trabalho crescem rapidamente. Mas nem sempre é fácil identificar os bons cursos e localizar os empregos da área, o que leva os leitores desta coluna a buscar esclarecer suas dúvidas. Complementando dois artigos que escrevi sobre o tema neste site há um ano e meio, onde já analisei o perfil necessário para os cursos e o mercado de trabalho, analiso o que se espera de um "internacionalista", como os colegas hispânicos denominam a área de atuação.

Simplificadamente falando, as RI são um campo de estudos multidisciplinar, que abarca história, direito, economia, ciência política, geografia, sociologia, filosofia e cultura, numa perspectiva internacional, exigindo conhecimento de idiomas, pelo menos inglês e espanhol. A evolução do mundo nos últimos quinze anos, marcada pela globalização, fez das RI um campo do conhecimento apaixonante e complexo. Mas como se preparar para ele e como estudá-lo?

Evidentemente, quem puder cursar graduação em RI por existir o curso em sua região, excelente. Mas deve-se ter cuidado de buscar cursos com grades curriculares que contemplem todas as áreas acima referidas, que tenham professores qualificados e especializados nas RI (ao menos para política externa brasileira, teoria e história das RI). Quem não possuir esta opção, pode recorrer a cursos de história, ciências sociais com ênfase em ciência política, geografia, direito ou economia. As disciplinas obrigatórias devem, neste caso, ser complementadas por outras opcionais ligadas a questões internacionais, cursos de extensão e palestras, além de simpósios na área de RI. Monografias de conclusão destes cursos também devem ser voltadas para temas de RI (por exemplo, direito ou economia internacional).

É indispensável ler a imprensa e estar em dia com as questões mundiais, buscando aprimorar também idiomas, não apenas em cursos, mas lendo periódicos e jornais renomados de outras nacionalidades (Foreign Affairs, Le Monde Diplomatique, etc). Importante criar o hábito de freqüentar bibliotecas e livrarias, utilizando a internet como um complemento na busca de conhecimento, e não como ferramenta principal. Um estudante que deseja se tornar um profissional competente, capaz de ocupar funções relevantes, deve ter isto em mente. Mais ainda, alunos que decoram informações e teorias, sem compreender o sentido das RI como processo dinâmico, estão condenados a exercer funções subalternas como profissionais. Quem consegue entender como funcionam as RI é capaz de antecipar-se aos fatos e ultrapassar as aparências enganosas dos acontecimentos globais, convertendo-se num profissional senior. E tudo isto pode ser realizado de forma agradável, se houver paixão pela área e vontade de aprender.

Finalmente, ao longo do curso o estudante começará a escolher uma sub-área que lhe interesse mais, como diplomacia, comércio, organizações internacionais, defesa, etc. Sua monografia e disciplinas complementares devem se voltar para esta sub-área e, se for o caso, buscar um curso de pós-graduação para especializar-se. O diálogo com colegas, professores e organizações e sites corporativos de RI propiciarão uma aproximação gradual ao mercado de trabalho, cada vez maior nas empresas, governos, organizações internacionais, academias e assessorias, além de consultorias especializadas. É um mercado promissor e que paga bem? Sim, e tende a ser cada vez mais. Atualmente faltam profissionais realmente qualificados, mas os bons salários devem ser conquistados gradualmente, mostrando-se um trabalho de nível, pois se trata de um espaço em construção.


 
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