A diplomacia da nova África do Sul
Apesar destes problemas, existem alguns processos positivos que sinalizam o reafirmação da África na cena internacional. É o caso da África Austral, outra região considerada estratégica para a "nova ordem mundial", devido a suas reservas minerais e sua importante posição geopolítica. Tanto aqui como no Oriente Médio, os conflitos regionais conduziam à radicalização social, à instabilidade diplomática e aos excessivos gastos em defesa e segurança, os quais foram consumindo as riquezas locais, obrigando o Ocidente à auxiliá-las economicamente. O Apartheid começou a ser desativado pelo presidente Frederik De Klerk, num tortuoso processo que culminou com a eleição de Mandela à presidência do país em 1994. Este caminho foi difícil, com inúmeros conflitos internos, o que também veio a ocorrer com os processos de paz em Angola e Moçambique, só concluídos após a vitória do Congresso Nacional Africano na África do Sul. Apesar da situação ainda não haver sido resolvida em Angola, a queda de Mobutu no Zaire deixou a UNITA ainda mais isolada.
Embora a situação interna sul-africana seja difícil, especialmente quanto aos problemas sociais que afetam a maioria negra, começa a esboçar-se uma área de integração na África Austral, em torno da nova África do Sul. O processo de paz traz implícita a integração econômica da região, permitindo virtualmente uma maior estabilidade social e diplomática, bem como uma inserção internacional menos onerosa desta área no movimento de globalização econômica em curso.
Paralelamente, a nova diplomacia sul-africana abriu possibilidades de mudança na política regional, pois a África do Sul ingressou na OUA e no Movimento dos Não Alinhados, cortou relações com Taiwan e as estabeleceu com a República Popular da China, e tem buscado romper o isolamento estabelecido pelos EUA em relação à Líbia, Nigéria, Sudão e Cuba. Além disso, o estabelecimento em 1993, por iniciativa brasileira, da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul, cria possibilidades de cooperação sistemática entre a África Austral e os países do Mercosul, recriando certa margem de manobra internacional.
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