A pressão sobre os aliados europeus e árabes representa, mais do que a busca de legitimidade diplomática para o desencadeamento da guerra, a necessidade de buscar apoio financeiro para o conflito que, devido à necessidade de ocupar e reconstruir a infra-estrutura e o Estado iraquianos. Vale lembrar que na segunda Guerra do Golfo (a primeira foi a Irã x Iraque) os EUA contribuíram com três quartos dos meios militares e apenas um quarto dos recursos financeiros. Em meio a dificuldades econômicas, os aliados da Guerra anterior buscam desengajar-se do conflito.
Da mesma forma, Rússia, China e França, membros permanentes do CS da ONU, parecem contrariados com a forma pela qual a super-potência americana vem tratando os assuntos internacionais, sendo os dois primeiros, indiretamente, ameaçados pela guerra ao terrorismo. Por outro lado, vigorosos movimentos pacifistas espalham-se pelo mundo, inclusive nos EUA. Já a Inglaterra, que entre as duas guerras mundiais transferiu a seus descendentes do outro lado do Atlântico a hegemonia do sistema mundial anglo-saxão (por falta de meios), mantém sua presença como potência apenas como aliada subordinada de Washington, sempre contra o continente europeu.
Quanto ao discurso de Powell, impressionou os leigos, mas não os especialistas, e tampouco alterou a posição dos membros do CS que possuem opinião própria. Na verdade, os EUA não necessitam do endosso da ONU, pois a guerra do Kosovo e a operação Raposa do Deserto (guerra aérea contra o Iraque em fins de 1998) foram feitas sem uma autorização da organização. A ONU entraria em cena depois, para resolver os problemas decorrentes do conflito, como refugiados e forças de ocupação, arcando com os custos de uma ação feita à sua revelia. O importante para os EUA é obter apoio financeiro dos aliados e demonstrar que nem mesmo a ONU pode estabelecer regras para seu acerto de contas com o "terrorismo" e o "eixo do mal", que são dois atores diferentes.