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A Administração Republicana de George W. Bush iniciou sob o signo da confrontação com o eixo do mal e do unilateralismo em relação aos aliados e às organizações internacionais, tanto estrategicamente como em sua atuação prática. O atentado de 11 de setembro, um episódio ainda obscuro, serviu de catalisador e legitimador à agenda anteriormente anunciada pelo novo governo no plano internacional. Assim, a guerra ao terrorismo serviu para resgatar a confiança interna da população, gerando um clima assim definido pelo famoso escritor inglês John Le Carré: "O público nos EUA não está sendo só enganado. Está sendo ameaçado e mantido num estado de medo e ignorância permanente".

Paralelamente Washington tenta reafirmar-se internacionalmente, mostrando que seu poder não foi corroído e que o mundo continua sendo o mesmo de antes dos atentados. Depois do golpe sofrido, é necessário reafirmar o poder e relançar a hegemonia americana de forma explícita, diferentemente da sutileza empregada por Clinton, através das organizações internacionais. Mas a França e a Alemanha, respectivamente potências diplomático-nuclear e econômico-financeira que são o núcleo duro da União Européia, um ano depois dos atentados, parecem não aceitar a estratégia americana.

O apoio da Inglaterra e dos países mediterrâneos e europeus orientais não chegam a compensar a ausência de seus velhos aliados de peso na guerra anterior contra o Iraque. Da mesma forma, os aliados árabes da Casa Branca temem por sua legitimidade e estabilidade. A reeleição de Ariel Sharon em Israel sinaliza um agravamento do conflito com os palestinos e uma guerra contra o Iraque aprofundaria ainda mais o abismo entre os dirigentes árabes e suas populações, um cenário que parece não preocupar a Washington. Apenas as minúsculas petromonarquias do Kuwait, Bahrein e Qatar apóiam os EUA abertamente.


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