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"O
Pecado Original"
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A
lista de pecados capitais serviu à Igreja para alertar os crentes
sobre o mal na Idade Média. Citados no Antigo e no Novo Testamento,
surgem também na Divina Comédia, de Dante Alighieri, e continuam
a desafiar o homem contemporâneo. Na reta final para o vestibular
de inverno, os sete pecados capitais mostram aos estudantes insuspeitos
vícios que podem prejudicar na hora da prova.
Mais
do que se arrepender de pecados cometidos, os vestibulandos devem
melhorar a performance nas provas ouvindo especialistas no assunto.
A psicóloga Suzymara Trintinaglia aconselha aos estudantes manter
hábitos nesse período. Não é recomendável mudar a alimentação
(mesmo que seja para melhor). Fazer alimentação natural ou cortar
o chocolate agora pode atrapalhar. Mantenha seu ritmo. Resolver
estudar à noite para ganhar tempo é outra bola fora. Negar ao corpo
as horas necessárias de sono (pelo menos seis horas), levará o candidato
a perda de concentração, falhas de memória, agressividade e desânimo,
entre outros sintomas.
Outra
dica da autora do livro Vestibular Sem Segredos é adiar
decisões importantes. Todas as atenções devem estar voltadas para
a prova. Isso inclui dar uma moderada em festas e badalações. Suzymara
lembra ainda que conhecer o local da prova pode tranqüilizar o candidato
e garantir contratempos no dia do vestibular. Para o professor Floriano
Krieger da Cunha, do curso Universitário, o momento de concentração
é de vencer a ansiedade para não cometer pecados na hora da prova.
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SAIBA
MAIS
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| Inveja |
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Este pecado aparece muito em sala de aula. O candidato acha
que o colega ao lado está mais preparado para o vestibular
e passa a invejá-lo. O sentimento pode levar o estudante a
procurar a cola ou tentar atrapalhar a concentação dos outros.
Não entre nessa. Use a situação como um estímulo e estude
ainda mais. A inveja não vai levar à aprovação. |
| Ira |
| •
Na reta final, o estudante tende a alimentar uma irritação.
O acúmulo de tensões, típico do período do vestibular, pode
levar o estudante a jogar tudo para cima. Domine o seu ímpeto.
Não é hora de perder a calma. Pare, escute uma música e volte
aos estudos. A tranqüilidade faz parte do bom desempenho na
prova. |
| Gula |
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Tentar engolir todos os conteúdos nas últimas semanas pode
fazer mal para o estômago. Nutrir-se apenas de vestibular
também pode levar o candidato a desordens do apetite. Este
pecador costuma interromper os estudos a cada cinco minutos
para abrir a geladeira. Domine a ansiedade. Evite acumular
mais calorias do que conhecimentos e mantenha alimentação
normal até o dia da prova. |
| Luxúria |
| •
Namorar é bom e necessário para qualquer pessoa. Mas o vestibulando
deve aprender a conter os impulsos nessa época e não ser levado
ao namoro em excesso. Aulas-show, cinema e documentários na
TV são opções mais recomendadas antes da prova. Deixe para
comemorar com o escolhido após o vestibular. |
| Soberba |
| •
Os que cometem este pecado capital costumam acreditar que
estão preparados para o vestibular. Sabem toda a matéria e
não precisam estudar em casa. O que é dito em aula é suficiente.
Não se submeta à soberba. Aja com humildade e leia cada questão
com muita atenção. Lembre-se! Somente o listão dirá se você
está aprovado. |
| Avareza |
| •
O avarento gosta de adquirir conhecimentos e guardá-los para
si. No período do vestibular, não é hora de economizar. Gaste
muito bem todas as suas horas de estudos. Não poupe esforços.
Aprenda a dividir suas dúvidas com professores e colegas antes
da prova. Invista nos conteúdos e gaste-os para resolver as
questões. |
| Preguiça |
| •
Aparentemente inofensivo, este pecado tão comum aos jovens
pode levar o estudante a cometer um dos erros mais grosseiros
do vestibular: abandonar a prova antes de trabalhar todas
as questões. Lembre-se que um acerto pode incluir o seu nome
no listão. Não perca pela preguiça. |
Confissões do
número 1
O
número 1 do Simulão Zero Hora confessa ser um pecador. Vinícius
Rambo Vogel, 18 anos, já cometeu quase todos os pecados capitais
do vestibulando desde que começou a se preparar para as provas no
curso Universitário, em Porto Alegre. Há um ano, o jovem cruzaltense
se esforça para conseguir uma vaga na Medicina da Universidade Federal
do Rio Grande do Sul (UFRGS).
–
Quando entreguei a prova do Simulão tive a certeza de que havia
passado, mas não calculava que tivesse me saído tão bem – diz o
estudante.
A
satisfação com a primeira colocação entre os 14.350 mil estudantes
que participaram do simulado no último dia 10 de junho, aumentou
a confiança de Vinícius. Mas o sorriso do estudante ainda é tímido,
e a preocupação com a aprovação na UFRGS ainda permanece.
–
Quero que isso sirva de estímulo para que eu estude ainda mais –
diz, excluindo a soberba de sua lista de pecados.
O
campeão não se incomoda em relacionar seus vícios. Quase todos já
foram superados depois do vestibular 2000, quando foi reprovado.
Vinícius confessa ter sido avarento no primeiro ano de cursinho.
Os colegas eram considerados inimigos, e não conseguia trabalhar
em grupo.
– Mudei isso completamente. Hoje, faço questões para os colegas
e aprendi que o conhecimento deve ser compartilhado. A minha vaga
na UFRGS só depende de mim – afirma.
No
ano passado, Vinícius costumava estudar até nos finais de semana
em que viajava para a casa dos pais, em Cruz Alta. Nem no Natal
ele deixou de pegar os livros. O resultado foi pouca diversão e
falta de convivência com a família.
–
Agora me organizei. Quando estou em Porto Alegre, estou estudando.
Quando vou para casa aproveito a luxúria – brinca.
O
primeiro vestibular mostrou falhas que ainda precisam ser superadas.
Por ser muito exigente, Vinícius costuma ficar muito inseguro quando
perde uma questão. Por isso, acredita que a ansiedade o prejudicou
na hora da prova.
–
Eu sabia a matéria, mas fiquei com muita dor de estômago e passei
quase dois dias sem comer durante o vestibular passado – lembra.
Para
o próximo concurso, Vinícius já providenciou ajuda para dominar
os distúrbios de alimentação, associados ao pecado da gula. A preguiça
também venceu o estudante no ano passado. O pecado foi cometido
na hora de revisar a prova.
–
Perdi três questões de matemática porque marquei errado a resposta
e não conferi antes de entregar a prova – diz, resignado.
Apesar
dos pecados, o campeão no Simulão inaugura uma nova caminhada rumo
ao sonho de ser médico.
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SAIBA
MAIS
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Os
sete pecados capitais são citados na Bíblia. A preocupação
em organizá-los em uma lista surgiu durante a Idade Média,
no Concílio de Trento (Itália). O concílio, que se desenvolveu
de 1545 a 1563, foi convocado pelo rei Felipe II, da Espanha,
e coordenado pelo papa Paulo IV. Seu objetivo era fixar com
clareza os dogmas da Igreja Católica, preocupada com o avanço
do protestantismo na Europa. O Concílio de Trento criou um
sistema didático para que os fiéis memorizassem com facilidade
os reais valores da Igreja Católica.
O teólogo São Tomás de Aquino (1225-1274) dedicou grande parte
da sua obra filosófica ao estudo dos sete pecados capitais.
Os pecados também apareceram em obras como A Divina Comédia,
de Dante Alighieri, O Paraíso Perdido, de Milton, e Contos
de Canterbury, de Chaucer. |
| Sugestões
de Leituras |
Sete
autores talentosos, sete vícios capitais. Confira a coleção
Plenos Pecados, da Editora Moderna:
1.
Mal Secreto, de Zuenir Ventura, sobre a inveja (268 páginas,
R$ 24,20)
2. Xadrez, Truco e outras Guerras, de José Roberto Torero,
sobre a ira (184 páginas, R$ 19)
3. Clube dos Anjos, de Luis Fernando Verissimo, sobre a gula
(140 páginas, R$ 18,20)
4. A Casa dos Budas Ditosos, de João Ubaldo Ribeiro, sobre
a luxúria (164 páginas, R$ 19)
5. Canoas e Marolas, de João Gilberto Noll, sobre a preguiça
(108 páginas, R$ 15)
6. Terapia, de Ariel Dorfman, sobre a avareza. (172 páginas,
R$ 19)
7. O argentino Tomas Eloy Martinez é o responsável pelo próximo
livro, sobre a soberba. |
LÚCIA
PIRES - Agência RBS/Zero Hora
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