Vestibular da Ufba registra 1.224 abstenções
Segunda, 06 de dezembro de 2004, 14h19
Mais de 30 mil candidatos acordaram dispostos a demonstrar seus conhecimentos e concorrer a uma das 4.026 vagas disputadas no vestibular da Universidade Federal da Bahia (Ufba). Não houve problemas no acesso aos locais de prova, de acordo com a coordenação do Serviço de Seleção da universidade, mas, ainda assim, 1.224 candidatos se abstiveram do concurso. O processo seletivo da Ufba, realizado ontem, também pôde ser considerado inédito por dois fatores: foi o primeiro a implementar a política de cotas para índios, afrodescendentes e estudantes de escolas públicas; e foi ainda o primeiro a realizar provas em cidades do interior do estado. Ontem, no primeiro dia de vestibular, os candidatos foram submetidos às provas de português e ciências naturais. Hoje, eles retornam para participar dos testes de matemática, ciências humanas e língua estrangeira. Já na tarde de ontem, os gabaritos das provas foram disponibilizados na internet, no endereço www.ufba.br. Os resultados do processo seletivo 2005 serão divulgados até o dia 30 deste mês. A segunda etapa de provas acontece entre os dias 9 e 14 de janeiro, e até o dia 7 de março será conhecida a classificação final. Este ano, a Ufba ofereceu um total de 61 cursos de graduação, sendo três deles novos (engenharia de pesca, engenharia florestal e zootecnia) e ainda uma nova habilitação (engenharia de minas com habilitação em petróleo). Foram 80 novas vagas no total. Os cursos mais concorridos continuam sendo medicina, em primeiro lugar, com uma relação de 23 candidatos para uma vaga, seguido do curso de direito, com 15 para uma. Pela primeira vez, a Ufba adotou o sistema de cotas em seu processo seletivo. Em vários locais de prova, era grande a expectativa de candidatos afrodescendentes e estudantes de escolas públicas com relação à nova oportunidade. "Parece que este ano nós vamos ter mesmo mais chances de entrar na universidade. Vamos ver se vai funcionar de verdade", declarou, momentos antes do exame, o candidato Rodrigo Ferreira dos Santos, 22 anos, sem esconder a ansiedade. Assim como ele, outros 13.432 candidatos se inscreveram na categoria escola pública e origem negra ou parda. Outros 15.299 candidatos se inscreveram na categoria escola pública de qualquer etnia. Indígenas e índiodescendentes estão concorrendo a 2% do total de vagas. Todos os candidatos foram submetidos à mesma prova. Este também foi o primeiro processo seletivo da Ufba com realização de provas no interior do estado. Além dos 33 pontos na capital, foram incluídos outros quatro nas cidades de Feira de Santana, Cruz das Almas, Itabuna e Vitória da Conquista. O número de inscritos no interior, 3.461 candidatos, foi considerado abaixo das expectativas da universidade, de acordo com a coordenação do Serviço de Seleção e Orientação, que esperava um número em torno de cinco mil candidatos. Retardatários encontram portões fechados Mesmo com um bom fluxo do trânsito e os informes divulgados através da imprensa sobre horário de fechamento dos portões, às 7h50, ainda houve candidatos que não conseguiram chegar a tempo. Foi o caso de Fernando Freire da Conceição, 26, candidato a uma das vagas ao curso de educação física. Fernando chegou ao seu local de prova, no Colégio Central, próximo à Estação da Lapa, apenas dois minutos após o fechamento dos portões. Ele contou que já estava em frente ao colégio, quando percebeu que não portava a carteira de identidade no bolso. Aflito, teria retornado para buscar o documento em sua casa, situada no bairro do Tororó, mas não conseguiu retornar em tempo hábil. Mas a atitude de Fernando foi totalmente desnecessária, visto que, para casos como o dela, o Serviço de Seleção conta com técnicos do Instituto de Identificação Pedro Melo em todos os locais de prova. Lá, os candidatos sem documentação têm suas impressões digitais comparadas e, caso confirmadas a sua legitimidade, são liberados para fazer a prova, perdendo apenas alguns minutos. Este ano, o Serviço de Seleção manteve contatos com todos os supervisores lotados nos locais de prova, para monitorar possíveis problemas na chegada dos candidatos. Antes de fechar os portões, os supervisores perguntavam: ""Vem alguém correndo aí?". E geralmente vinha. Nesses casos, os supervisores toleravam os pequenos atrasos de candidatos desesperados. "Não há mais porque pensarmos um processo seletivo em que o supervisor bate a porta na cara do estudante", justificou Nelson Almeida, chefe do Serviço de Seleção. Segundo ele, apenas nas proximidades da Escola Politécnica, na Federação, um acidente com um carro que colidiu em um poste atrapalhou o fluxo de veículos, mas não o suficiente a ponto de dificultar o acesso ao local. Mesmo com a realização de provas no interior do estado, o número total de inscritos, 33.072, caiu em mais de quatro mil se comparado ao ano passado, quando 37.839 candidatos concorreram a uma das vagas. Segundo Almeida, isso ocorreu provavelmente por conta do impacto inicial da implementação da política de cotas. O chefe do Serviço de Seleção afirma perceber um certo desestímulo dos alunos de escolas particulares de médio porte, que sentem-se prejudicados com a reserva de vagas, vendo suas chances diminuídas. Ao mesmo tempo, estudantes de escolas públicas ainda não teriam percebido as vantagens dos sistemas de cotas. Das 8.371 isenções na taxa de inscrição disponibilizadas, 1.302 deixaram de ser efetivadas. "Isso mostra que os alunos mais carentes ainda vêem a universidade como um sonho distante", analisou.

Correio da Bahia
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