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Notícias: Bahia
Ufba reservará vagas para descendentes africanos e indígenas
Quarta, 07 de abril de 2004, 09h00


A Universidade Federal da Bahia (Ufba) deve reservar 43% das suas vagas para estudantes afrodescendentes a partir do ano que vem. A proposta do Grupo de Trabalho sobre Inclusão Social foi divulgada ontem e ainda prevê cotas de 2% para os índiodescendentes. Caso a proposta seja aprovada pelos conselhos superiores da universidade, 36% das vagas nos cursos serão reservadas para estudantes negros egressos da escola pública, já que eles têm direito a 85% do total de 43% das cotas.

De acordo com o reitor da universidade, Naomar Almeida, a Ufba tem hoje 55% de estudantes afrodescendentes. O índice está acima das cotas propostas pelo Grupo de Trabalho, mas o percentual não contempla todos os cursos. Dos 56 cursos da instituição, 18 deles não alcançam 30% de afrodescendentes oriundos de escolas públicas. Os mais concorridos, como direito e medicina, possuem índices abaixo dos 5%.

Para serem incluídos no regime de cotas e no programa de Ação Afirmativa da Ufba, os candidatos deverão obter, no vestibular, média acima do ponto de corte (nota mínima) de cada curso. Este ano, a universidade vai oferecer 3.906 vagas. Caso exista empate entre um incluído no regime de cotas e outro não, a vaga vai para o afro ou índiodescendente. "Não será fácil administrar esse sistema, vai ser mais um desafio", reconhece o reitor.

Para o professor Jocélio Santos, diretor do Centro de Estudos Afro-Orientais (Ceao), a proposta vai permitir que estudantes negros que se qualificam com pontuação acima da mínima exigida pelos cursos mais concorridos tenham a oportunidade de entrar na universidade. "Em medicina tivemos 17 estudantes negros que conseguiram ficar acima do ponto de corte, mas que não puderam cursar por falta de vagas", exemplificou.

Pós-graduação - O Grupo de Trabalho também indicou propostas para a inclusão social nos cursos de pós-graduação, que incluem a adoção do critério de menor capacidade econômica para a distribuição de bolsas entre os classificados, e destinação de 40% delas, no mínimo, para estudantes negros. O GT recomenda que, na distribuição das bolsas, seja contemplada uma cota mínima de 30% de negros, percentual a ser avaliado após cinco anos. O grupo não propõe reserva de vagas em cursos de pós, em função da subjetividade do processo de seleção na maioria dos programas.

Segundo o pró-reitor de Graduação, Maerbal Marinho, era questionável a eficácia da medida de cota de reserva de vagas para a pós-graduação. Como a pré-seleção é um processo subjetivo, o professor tende a aprovar candidatos preferenciais, destaca Maerbal. O GT formulou mais três ações afirmativas para a pós-permanência - o desenvolvimento de programas de financiamento para linhas de pesquisas com foco étnico racial, e bolsas adicionais específicas para negros junto a fundações, como já existe na Fundação Ford, além da criação de programas de preparação para a pós.

O Grupo de Trabalho que formulou e discutiu as propostas de inclusão social na universidade foi designado pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão. O GT é integrado pelo pró-reitor de Graduação, Maerbal Marinho, dois representantes do comitê pró-cotas, um estudantil, o diretor do Centro de Estudos Afro Orientais (Ceao), Jocélio Santos, além de representantes da União Nacional dos Índios Descendentes, Olímpio Serra, e dos servidores, Edile Costa. O diretor da Escola de Administração, Oswaldo Barreto e a professora Maria Hilda Paraíso, da FFCH, completam o GT.


Correio da Bahia

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