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A
rede brasileira de computadores, hoje com mais de 10 milhões de
usuários, abre mercado para profissionais de diferentes áreas de
atuação
A
informática não é uma profissão de futuro. A informática é o futuro
de todas as profissões. A previsão é do filósofo, professor e entusiasta
do ciberespaço Pierre Lévy. Em suas conferências pelo mundo, costuma
avisar aos espectadores que as chamadas tecnologias da informação
criarão uma nova forma de pensar, de agir e de viver. No Brasil,
pelo menos no que diz respeito ao mercado de trabalho, a Internet
já está fazendo a sua parte.
A teia brasileira – hoje com mais de 10 milhões de usuários – já
motiva profissionais de diferentes áreas. São os web trabalhadores.
Gente jovem que está provocando a explosão de empresas pontocom.
Para colocar as boas idéias na Internet e faturar milhões de dólares
no mundo virtual, as empresas necessitam de espaço físico e principalmente
de pessoal qualificado para gerenciar suas operações e administrar
o conteúdo das suas páginas. De olho no futuro, universitários e
estudantes do Ensino Médio começam a se preparar.
– Quando entrei na equipe da revista eletrônica da faculdade não
sabia nada sobre linguagem de Internet. Hoje, sou o responsável
por disponibilizá-la na rede – diz o estudante de Publicidade da
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Vinícius
Miot, 17 anos.
Estudantes de Publicidade e Propaganda e de Relações Públicas são
os candidatos aos cargos de web marketing. Eles dividem com os web
designers – Arquitetura, Artes Plásticas e Designer – e com os profissionais
dos cursos de Ciência da Computação, Sistemas de Informação e Engenharia
da Computação o time mais requisitado nas empresas pontocom.
– Os que dominam a linguagem da Internet (HTLM, ASP e outras) são
disputados hoje a peso de ouro no Brasil – diz o presidente da Netcom.br,
Jack London. O executivo foi um dos primeiros brasileiros a ver
a Internet como um negócio rentável no país. Sua empresa criou os
sites BookNet, Valeu! e Hipertexto.
A linguagem da Internet, como parte do programa de disciplinas,
foi incluída há pouco mais de um ano ao currículo do curso de Sistemas
de Informação da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra).
Conforme a coordenadora do curso, Nara Bogolin, o fato não significa
que o aluno formado anteriormente não tenha capacidade para dominar
a linguagem.
– O importante é conhecer o computador. Com uma boa base teórica,
o analista precisa de um ou dois dias para dominar qualquer linguagem
de alto nível – diz Nara.
Mas não é só de analistas de sistemas, web desenhistas e homens
de propaganda que se faz um web site. O professor do Instituto de
Informática da Universidade Federal do Rio Grande (UFRGS), Newton
Braga Rosa, alerta para o setor administrativo, que também deu um
salto e abriu vagas na Internet. O novo cargo é chamado de analista
de negócios e é dirigido à graduados em Administração, Economia
e Ciências Contábeis com pós-graduação em Informática ou vice-versa.
Este profissional presta informações valiosas sobre os negócios
da empresa aos técnicos.
Também agregados às equipes pontocom estão os profissionais dos
cursos de Engenharia Elétrica e de Engenharia Eletrônica, no controle
das telecomunicações.
Na administração e produção de conteúdos dos sites destacam-se os
profissionais de Biblioteconomia e de Jornalismo. Para o professor
Newton Braga, a lista é apenas um começo do que prevê Pierre Lévy.
Mas o futuro ele vê diariamente em sala de aula.
– Hoje, o problema do curso de Informática é a profissionalização
precoce dos alunos. Eles são assediados por bons salários desde
os primeiros semestres – diz Newton Rosa.
Construindo conhecimento - Construir a própria homepage é
o desafio dos alunos de 5ª e 6 ª séries do Colégio Aplicação, da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Na sala de aula, os computadores com menos de um mês de uso – recentemente
recebidos como prêmio da Fundação Airton Senna pelo projeto Amora
net – são usados como divertidos instrumentos. Eles servem para
colecionar textos, fotos, sons e ícones preferidos. A fábrica de
homepages tem como ponto de partida o site do colégio, no qual os
alunos encontram as principais ferramentas. Os conteúdos, porém,
devem ser pesquisados na rede ou em outras fontes.
– Queremos que eles construam o conhecimento no computador de acordo
com o interesse de cada um – diz um dos articuladores do projeto,
Ceciliano Soares Claro.
Na homepage de Clarissa Rech, 12 anos, é possível encontrar características
de aves raras. A pesquisa também traz curiosidades como o sexo oculto
entre as penas e o cardápio das aves. A dupla Jorge Fernandes, 12,
e Rodrigo Becker, 11, também escolheu as aves, mas o interesse ficou
restrito aos periquitos.
Na página, já estão catalogadas mais de 30 espécies. Os sites serão
publicados no mês de julho, no endereço www.cap.ufrgs.br/amora/.
Entre os assuntos escolhidos pelos 108 alunos do projeto aparecem
os animais pré-históricos, os automóveis, o sistema solar, entre
outros.
Experiência
na Faculdade - Em março de 1998, entrava no ar a Cyberfam www.cyberfam.cjb.net
– a primeira revista digital elaborada pelos alunos da Faculdade
dos Meios de Comunicação Social da Pontifícia Universidade Católica
do Rio Grande do Sul (Famecos).
Durante o primeiro ano, o projeto permaneceu como um embrião devido
à carência de equipamentos e de colaboradores. Hoje, em sua 23ª
edição, o site está super completo e vale como estágio curricular
do curso de Jornalismo.
– A idéia é preencher uma lacuna nos cursos de Comunicação Social,
a falta de uma disciplina sobre jornalismo on line – explica o professor
Francisco Menezes.
A revista on line só decolou em 1999, quando Menezes e os professores
Eduardo Pellanda e Militão Ricardo resolveram espalhar cartazes
pela Famecos para recrutar estudantes de diferentes cursos e semestres
para o projeto.
– A Cyberfam renasceu fortalecida, com seções definidas, uma equipe
bastante grande e uma periodicidade quinzenal – diz Menezes.
A estudante de Jornalismo Marina Wentzel, 19 anos, faz parte da
equipe da Cyberfam. Desde que ingressou como colaboradora, participou
das editorias de cinema, comportamento, cultura e, recentemente,
fundou a de moda e design. – A Cyberfam mudou. Hoje, somos responsáveis
por todo o processo, desde a pauta até o lançamento da revista na
Internet – diz.
A cada edição, a Cyberfam recebe cerca de 500 visitas, algumas delas
de países como Portugal, Itália e EUA. O sucesso é comemorado pelos
cerca de 30 colaboradores.
A fome de colocar a teoria em prática na Famecos também movimentou
os estudantes da turma 359, o nível básico da Comunicação Social.
O dono da idéia mais brilhante foi o estudante de Jornalismo Nestor
Júnior, 20 anos, que propôs à turma montar um site na Internet.
– A grande vantagem da Internet é o custo zero. Se fizéssemos um
jornal ou revista, ficaria muito caro. Por isso, optamos pelo site
www.359.cjb.net – explica Júnior.
Os estudantes começaram desenvolvendo conteúdos de interesse apenas
para a turma – dias de prova, aulas, avisos etc. Mas o jornalismo
on line entusiasmou. A turma então resolveu fazer a cobertura do
11º Set Universitário e, assim, mudar seu rumo. – Fizemos a cobertura
do evento em tempo real. Os professores mostraram interesse pelo
site da turma e nos ofereceram hospedar a página no provedor da
PUCRS – revela o idealizador do projeto.
LÚCIA
PIRES
/ Agência
RBS / Zero Hora
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