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 Tema do Mês - O Romance Romântico


O QUE OBERVAR EM INOCÊNCIA

1) É o romance sertanista onde mais se percebe a divisão entre o enredo central - folhetinesco e ultra-romântico - e as histórias secundárias, quase todas realistas.

2) Este mesmo descompasso é visível entre o tom trágico da intriga amorosa e as passagens hilariantes das tramas paralelas.

3) Apesar do excesso melodramático final, os caracteres de Cirino e Inocência nos são mostrados de forma muito mais verossímil que os personagens de outros romances românticos da época.

4) Há uma forte crítica de Taunay em relação ao implacável patriarcalismo do mundo rural. O curioso é que durante quase toda a narrativa, o autor ironiza a visão machista, como nesta cômica exposição de Pereira sobre o comportamento das mulheres: "Eu repito, isto de mulheres, não há que fiar. Bem faziam os nossos do tempo antigo. As raparigas andavam direitinhas que nem um fuso... Uma piscadela de olho mais duvidosa, era logo pau. (...) Cá no meu modo de pensar, entendo que não se maltratem as coitadinhas, mas também é preciso não dar asas às formigas..."

No final do relato, contudo, esta crítica amena e humorística transforma-se quase em um panfleto contra o domínio absoluto que, dentro do código patriarcalista, os pais tinham sobre os filhos.

5) Importante ressaltar que o simplório Pereira, além de possuir boa índole, ama desesperadamente a filha. Portanto, também ele nos é mostrado como vítima dos costumes patriarcais.

6) Meyer, o naturalista alemão, sábio das coisas da ciência, porém incapaz de perceber a estreiteza moral do mundo em que está metido, é um dos protagonistas mais engraçados da ficção brasileira do século XIX. Suas trapalhadas são impagáveis.

7) O romance apresenta uma curiosa mescla de linguagem culta urbana e termos regionais (arcaísmos, corruptelas, provérbios, expressões típicas). Estes "regionalismos", na sua maioria, são explicados pelo próprio autor, em notas ao pé das páginas. O resultado dessa junção é uma prosa bastante viva, colorida e com acentos humorísticos na sua formulação. Veja-se um exemplo:

E mulher, prosseguiu o mineiro (Pereira) com raivosa volubilidade, é gente tão levada da breca, que se lambe toda de gosto com ditinhos e requebros desta súcia de embromadores. Com elas, digo eu sempre, não há que fiar...Má hora me trouxe este alamão...Mil raios o rachem!...Tenho agora que ficar de alcatéia...meter-se em tocaia e fazer fogos para que o braicá não me entre no galinheiro. Ora que tal! (...) Já estou enfernizado com o tal homem...

A RETIRADA DE LAGUNA

Incursões paraguaias no sul de Mato Grosso, no início da Guerra do Paraguai (1865-1870) levaram o comando militar do Império a enviar uma coluna para manter incólume a fronteira brasileira e, dependendo das circunstâncias, invadir o território inimigo. Ao acompanhar a expedição, como tenente de engenharia, Taunay não podia imaginar o horror que os aguardava.

Por erro fatal do comandante - acusado de covardia em outro episódio - que contrariando toda a lógica, decidiu-se pela invasão do Paraguai. Sem cavalaria, sem retaguarda, com poucas munições e víveres, a tropa de cerca de mil e setecentos homens penetrou num sertão inóspito, numa vastíssima região de pantanais, febres e campinas que os paraguaios incendiavam, colocando a soldadesca brasileira dentro de um inferno. Ao fogo somou-se a fome. E a estes, a terrível doença da cólera, causada pela região insalubre. A campanha - que durou apenas um mês transformou-se m grande desastre. Em condições lamentáveis, sobreviveram tão somente setecentos homens.

A visível inépcia do comandante, intensificado pelo desconhecimento das condições adversas do meio, o heroísmo de oficiais e soldados no dia a dia da expedição e, principalmente, a carnificina da guerra e da peste aparecem numa prosa simultaneamente objetiva e dramática. A retirada da Laguna não tem o vigor trágico de Os sertões, de Euclides da Cunha, mesmo assim possui força descritiva, interesse documental e, muitas vezes, emociona os leitores. Tome-se, como exemplo, este fragmento sobre as primeiras manifestações da cólera:

Caiu à noite uma chuva abundante que agravou todos os nossos sofrimentos. Os coléricos, amontoados junto da pequena barraca dos médicos, ao ar livre e sem abrigo, recebiam no corpo enregelado os aguaceiros, que se sucediam a intervalos. Penalizava-nos ver aqueles desgraçados, extremamente agitados, rasgando os farrapos com que procurávamos cobri-los, rolando uns sobre os outros, contorcendo-se de cãibras, vociferando, lançando urras que se confundiam num único grito articulado: "Água!"

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