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O surrealismo
No início da década de 1920, a vanguarda dadaísta tinha se esgotado num niilismo inoperante. Sob a liderança de André Breton, ex-integrante do movimento Dadá, um grupo de poetas e artistas plásticos entre os quais Benjamin Péret, Paul Elouard, Francis Picabia e Max Ernest, passou a buscar novas formas de expressão artística. Em 1924, o próprio Breton lançou o Manifesto do Surrealismo. Em seguida, fundou a revista A revolução surrealista que seria editada até 1929. Ao grupo inicial se juntariam, nos anos posteriores, poetas como García Lorca, pintores como Salvador Dali e René Magritte e o cineasta espanhol Luís Buñuel, cujo filme, Um cão andaluz, tornou-se um dos ícones do movimento. Em síntese, os surrealistas defendiam os seguintes princípios: - Automatismo psíquico, “mediante o qual se pretende expressar, seja verbalmente ou de outra maneira, o funcionamento real do pensamento.”(André Breton). O resultado é a escrita automática, em que a “ausência da fiscalização exercida pela razão, pela moral e pela estética” permite ao artista uma liberação total do seu espírito criador. - Valorização das formas ilógicas e não-racionais do conhecimento. “Deixai o inconsciente falar” – dizem os surrealistas, celebrando não apenas os fluxos de idéias e imagens vindas das camadas não-policiadas da mente, mas também o sonho, a imaginação, a associação livre, a hipnose, os estados de transe e a loucura. As descobertas de Freud sobre o inconsciente levam os integrantes do movimento a se aproximar da psicanálise. - Estabelecimento de uma arte “mágica”, insólita, que surpreenda continuamente; criação de atmosferas de irrealidade e de delírio; junção inesperada de objetos incongruentes; elaboração de imagens extravagantes, etc. Certos quadros de Salvador Dalí, Renée Magritte e Max Ernest, por exemplo, até hoje causam impacto pelo inusitado de sua expressão. - Aproximação da estética surrealista com a política. Há uma identificação coletiva do grupo com as idéias comunistas. Revolução e arte se conjugam. A fórmula desta combinação é traduzida assim por Breton: “Mudar a vida, dizia Rimbaud; transformar o mundo, dizia Marx; para nós, esses dois lemas formam um só.” - Na década de 1930, a exemplo das demais vanguardas, o Surrealismo decresceu em importância. Mesmo assim, seu legado espalhou-se pelo Ocidente e é raro o poeta ou o pintor – surgido naquele período – que não tenha realizado alguma experiência sob o influxo das idéias estético-ideológicas dos surrealistas.
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