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Autran Dourado (1926)
Um dos grandes ficcionistas brasileiros dos anos de 1960 e 70, é autor de um estimado livro de contos, Solidão, solitude (1972) e de vários romances importantes como Uma vida em segredo, 1964, A barca dos homens (1961), Ópera dos mortos (1967), O risco do bordado (1970) e Os sinos da agonia (1974). A obra de Autran Dourado se caracteriza – na feliz expressão de um crítico – por sua “intrínseca mineiridade, isto é, por uma tendência introspectiva, em que os seres se debatem sem encontrar saída, “enjaulados em atmosferas cinzentas, acossados pelo desentendimento, pela decadência e pelo estigma da morte” (Massaud Moisés). Dois destes romances (Ópera dos mortos e Os sinos da agonia) situam-se em um patamar de realização superior, seja pela linguagem obsessivamente trabalhada, seja pela revelação de mundos espectrais e doentios nos quais os indivíduos são arrastados pela forças dos instintos rumo à destruição. Em Ópera dos mortos, no sobrado decadente da família Honório Cota, vive Rosalina, a última remanescente de uma estirpe em extinção, acompanhada apenas de uma empregada muda, Quiquina, e de um agregado, Juca Passarinho. A paixão erótica que a patroa nutre por Juca Passarinho é proporcional ao desprezo que ela vota a esse subalterno social. Todavia a gravidez da orgulhosa Rosalina surge como um golpe terrível na vida das três habitantes do casarão, desencadeando o crime e a loucura. Em Os sinos da agonia, a ação transcorre na Vila Rica do século XVIII, mas a circunstância histórica (a decadência da sociedade aurífera) é meramente circunstancial. Não se trata de um romance histórico e sim de uma narrativa voltada para a análise e o contraste dos caracteres individuais, especialmente os de Malvina e os de Gaspar. Segundo um crítico, em Os sinos da agonia “a vida das criaturas está cifrada numa sucessão labiríntica que vai do adultério ao assassinato, da ambição dissimulada à loucura e ao suicídio, das secretas intrigas familiares à delação pública. Autran Dourado escreveu o romance da traição” (Flávio L. Chaves)
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