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Lygia Fagundes Telles


VIDA

Lygia Fagundes Telles nasceu em São Paulo, em 1923. Como o pai era promotor público, viveu parte de sua infância no interior paulista. Seus estudos, contudo foram feitos na capital. Em 1945, formou-se em Direito. Desta época são os seus primeiros contos. Depois de viver um tempo na cidade do Rio de Janeiro, Lygia retornou para São Paulo, tornando-se advogada e mais tarde, procuradora do estado. O seu primeiro livro significativo foi o romance Ciranda de pedra, publicado em 1954. Em 1970 veio à luz um grande livro de contos, Antes do baile verde. E em 1973, a autora lançou As meninas, um dos grandes romances da literatura brasileira no século XX.

OBRAS PRINCIPAIS

Contos: História do desencontro (1968); Antes do baile verde (1970); Seminário dos ratos (1977); Venha ver o pôr do sol (1987); Invenção e memória (2000).
Romances: Ciranda de pedra (1954); Verão no aquário (1963); As meninas (1973); As horas nuas (1989).

Embora tenha estreado na década de 1940, foi apenas da década de 1970 que Lygia Fagundes Telles alcançou a plena maturidade de seus meios de expressão, com obras com os contos de Antes do baile verde e o romance As meninas, tornando-se um nome fundamental na ficção brasileira contemporânea.

Apresentada no início de sua carreira como adepta da ficção introspectiva, sofreu comparação inevitável com Clarice Lispector, de quem seria uma espécie de herdeira menor. Embora, de fato, a exemplo da autora de A hora da estrela, Lygia Fagundes Telles revelasse gosto pela análise psicológica e pela criação de personagens femininas, normalmente vistas a partir de narrativas em primeira pessoa, ela sempre demonstrou originalidade. Esta originalidade – intensificada nos anos 70 – resulta da síntese que a autora realiza entre uma arguta visão da interioridade feminina e a convincente construção de um mundo objetivo.

O CONTO

Exímia contista, Lygia trabalha tanto com o conto de atmosfera quanto com o conto anedótico de desfecho inesperado. Sua matéria-prima são crianças em situação de angústia existencial, pais e filhos em conflito e uma infinita galeria de mulheres de todas as idades, vivendo tensões amorosas, solidão e sofrimento. Geralmente, a escritora focaliza um momento particular na vida desses protagonistas, quando uma dramática percepção da realidade ou densas revelações subjetivas se impõem bruscamente à consciência, arrastando-os à dor e à lucidez.

Por vezes, os sentimentos humanos são desenhados com tamanha intensidade que os contos roçam no mórbido e no melodramático. Mas, geralmente, Lygia Fagundes Telles consegue escapar deste risco, produzindo um significativo número de belas histórias curtas, entre as quais se destacam: A confissão de Leontina, Natal na barca, Antes do baile verde, O menino e A estrutura da bolha de sabão.

O ROMANCE

Autora de dois romances medianos, mas ainda hoje legíveis, Ciranda de pedra e Verão no aquário, Lygia Fagundes Telles surpreendeu o país com a publicação de As meninas, em 1973.

Entre tantas obras estruturalmente desordenadas surgidas no início dos anos 70, As meninas é aquela em que melhor se conciliam a refinada análise psicológica, a desintegração das formas realistas convencionais, a criação de um novo realismo, extremamente inovador, e a elaboração de um painel de época.

A idéia da autora foi a de apresentar a vida e as relações afetivas, sexuais e familiares de três jovens universitárias, internas em um pensionato de freiras na cidade de São Paulo, em fins da década de 1960, quando a ditadura militar fechava cada vez mais o torniquete repressivo sobre a sociedade brasileira. Apesar das diferenças de origem e posição social, de escala de valores e de qualificação intelectual, Lorena, Lia e Ana Clara são muito amigas, compartilhando suas angústias e projetos pessoais.

É fascinante como Lygia Fagundes Telles cria individualidades ricas e complexas e, simultaneamente, lhes dá representatividade histórico-social. Lorena, que faz Direito, descende de tradicional família paulistana e, diante do turbilhão de mudanças da realidade brasileira de então, isola-se em seu mundo interior, remoendo o passado e vivendo um amor totalmente fantasioso. Ana Clara, que é de origem humilde, estuda Psicologia e procura usar sua beleza como trampolim para alcançar um lugar ao sol na nova ordem capitalista. O preço que paga, no entanto, especialmente por seu passado infeliz, é muito alto: torna-se uma drogada. Finalmente, Lia (Lião), filha de pai alemão e mãe baiana, estuda Sociologia. É a “conscientizada” do grupo, milita na esquerda universitária e tem um namorado envolvido em ações políticas semiclandestinas. Lia expressa claramente os setores da juventude de classe média que iriam encontrar na guerrilha uma alternativa de luta contra o regime autoritário.

Este universo ficcional mantém-se em pé graças a um ousado processo de técnica romanesca: as três jovem se alternam como narradoras da obra, valendo-se com muita freqüência de monólogos interiores e apresentando, cada qual, os seus dramas íntimos e a sua visão de mundo. Tal procedimento narrativo cria – no dizer um crítico – “um jogo de espelhos que retoma e repete (de outro ângulo) a realidade vivida” pelas personagens. Dos contínuos fluxos de consciência que estruturam a fisionomia moral e psicológica das três moças, destacamos o que inicia o romance. Quem narra é Lorena, a jovem burguesa:

Sentei na cama. Era cedo para tomar banho. Tombei para trás, abracei o travesseiro e pensei em M.N., a melhor coisa do mundo não é beber água de coco e depois mijar no mar, o tio da Lião disse isso mas ele não sabe, a melhor coisa mesmo é ficar imaginando o que M.N. vai dizer e fazer quando cair meu último véu. O último véu! Escreveria Lião, ela fica sublime quando escreve, começou o romance dizendo que em dezembro a cidade cheira a pêssego. Imagine, pêssego. Dezembro é tempo de pêssego, está certo, às vezes a gente encontra carroças de frutas nas esquinas com o cheiro de pomar em redor mas concluir daí que a cidade inteira fica perfumada, já é sublimar demais. Dedicou a história a Guevara com um pensamento importantíssimo sobre a vida e a morte, tudo em latim. Imagine se entra latim no esquema guevariano.



    
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