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O teatro contemporâneo - parte I

1. ORIGENS

O gênero dramático não teve, no Brasil do século XX, uma expressão estética à altura da poesia, do romance ou mesmo da crônica. Os modernistas de 1922 – com exceção de Oswald de Andrade – não se ocuparam com teatro. Ainda que as peças escritas por Oswald fossem revolucionárias para sua época (O rei da vela e A morta), elas não foram encenadas, ficando esquecidas até a década de 1960. Não se formou, portanto o que poderia ser denominado (paradoxalmente) de tradição da modernidade, isto é não se criou um conjunto significativo de obras, inovadoras na temática e na linguagem teatral, ao contrário do ocorrido no romance e na poesia.

Somente a partir de 1943 é que se pode falar da existência de uma dramaturgia moderna do país, com a encenação de Vestido de noiva, de Nelson Rodrigues. Construindo um universo dramático absolutamente original e irrepetível, coube a ele apontar caminhos de vanguarda para o teatro brasileiro. Com efeito, as peças de Nelson Rodrigues são uma verdadeira suma de novidades: elas mostram brutalmente a realidade familiar, seja sob a forma naturalista, seja sob a forma expressionista, desvendam de forma quase psicanalítica a interioridade mais profunda dos personagens, apresentam os enredos mediante sofisticados jogos temporais e possibilitam encenações de grande ousadia. Há nelas, principalmente, um uso sistemático do português coloquial nos diálogos que, por isso mesmo, são sempre vivos e ricos.

2.NELSON RODRIGUES (1912-1980)

VIDA: Nelson Rodrigues Falcão nasceu no Recife, sendo filho de Mário Rodrigues um célebre jornalista da época. Ainda menino, Nelson seguiu com a família para o Rio de Janeiro, onde o pai foi buscar melhores chances profissionais. Já adolescente, o futuro dramaturgo viveu um acontecimento que lhe deixou marcas indeléveis: uma mulher, sentido-se ultrajada por uma escandalosa matéria publicada por Mário Rodrigues, invadiu a redação do pequeno jornal que ele dirigia e, não o encontrando, assassinou um de seus filhos, o desenhista Roberto Rodrigues, irmão de Nelson. O pai, atormentado pela culpa, sofreu um infarto semanas depois e, em seguida, faleceu. A partir de então, a família enfrentou toda sorte de dificuldades, na luta pela sobrevivência. Nelson Rodrigues dedicou-se de corpo e alma ao jornalismo. Para piorar a situação, ele e um de seus irmãos ficaram tuberculosos e tiveram várias passagens por sanatórios. Por isso, o teatro representou para o escritor, em um primeiro momento, apenas a chance de aumentar os seus parcos rendimentos de jornalista. Após o relativo fracasso de A mulher sem pecado, veio o sucesso de Vestido de noiva, obra de dimensão inovadora, profundamente marcada pelas revoluções estilísticas do Modernismo no teatro – com Eugene O’Neill, Luigi Pirandello ou Henrik Ibsen –, autores que Nelson, aliás, dizia não conhecer, embora isso fosse pouco provável.

A fatalidade, no entanto, continuou perseguindo o dramaturgo. Perdeu um irmão tuberculoso, outro em um desabamento, teve uma filha cega e seu filho entrou na guerrilha para lutar contra o regime militar. Já no campo teatral, seu nome pouco a pouco converteu-se numa unanimidade. Nelson Rodrigues morreu no Rio de Janeiro, sua cidade de adoção, aos sessenta e oito anos.

DIVISÃO DAS PEÇAS
Sábato Magaldi dividiu as peças de Nelson Rodrigues em três grandes grupos:
PEÇAS PSICOLÓGICAS: A mulher sem pecado (1941); Vestido de noiva (1943); Valsa nº 6 (1951); Viúva, porém honesta (1957); Anti-Nelson Rodrigues (1973).

PEÇAS MÍTICAS: Álbum de família (1945); Anjo Negro (1947); Senhora dos afogados (1947); Dorotéia (1949).

TRAGÉDIAS CARIOCAS: A falecida (1953); Perdoa-me por me traíres (1957); Os sete gatinhos (1958); Boca de ouro (1959); Beijo no asfalto (1960); Otto Lara Resende ou Bonitinha mas ordinária (1962); Toda nudez será castigada (1965); A serpente (1978).

Esta divisão não é estanque. Como o próprio crítico observou, as peças psicológicas contém elementos míticos e das tragédias cariocas. As peças míticas lidam com a análise psicológica e não deixam de revelar a realidade urbana do Rio de Janeiro. E, finalmente, as denominadas tragédias cariocas incorporam o mundo psicológico e mítico das obras anteriores.

O traço marcante de todas essas obras é a tentativa de desvelar a interioridade mais recôndita dos protagonistas. Além da análise psicológica tradicional, Nelson Rodrigues procura, sob influência freudiana (que ele negava, afirmando nunca ter lido Freud), aproximar-se dos abismos do inconsciente e do subconsciente, além de uma criar uma galeria de personagens arquetípicos.

Jamais houve no teatro brasileiro um mergulho tão profundo na psique humana. O resultado dessa investigação artística, no entanto, é também assustadora. Destruídos os bloqueios morais impostos pela civilização, o que aparece é um mundo infernal de desejos proibidos, crueldade, amoralismo e “nostalgia da lama”. O instintos arrastam os personagens – dentro do próprio quadro familiar – ao incesto, à perversão e ao crime, ao mesmo tempo que o sonho de uma impossível pureza segue atormentando-os.

A obsessão pelo sexo na obra de Nelson Rodrigues parece resultar tanto da derrocada dos pilares patriarcalistas e católicos presentes em sua formação quanto de seu conhecimento de teorias psicanalíticas. É um erro grave, contudo, julgá-lo um autor pornográfico. Ou, ainda, um autor de peças eróticas, como certas minisséries de tevê e certos filmes tentam apresentá-lo. Nelson Rodrigues, na verdade, é um moralista. Sua concepção de mundo mostra os seres como vítimas de paixões selvagens e ruinosas. Os instintos (sobretudo o sexo) são abomináveis. Esta complexa visão do dramaturgo a respeito da natureza humana faz com que suas peças sejam de difícil encenação.

A estréia de Nelson Rodrigues ocorreu com A mulher sem pecado. Apesar de ser uma peça menor, ela já apresentava alguns dos elementos que marcariam o conjunto de sua obra:

- O comportamento obsessivo e paranóico dos personagens.

- O clima mórbido, que embaralha as noções do normal e do doentio.

- O diálogo enxuto, direto, com o ritmo e o sabor da fala carioca.

- A trama folhetinesca, tornada complexa pelos dilemas morais e ambigüidades comportamentais dos protagonistas.



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