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Jorge de Lima - parte I

JORGE DE LIMA (1893-1953)

Vida

Jorge Mateus de Lima nasceu em União, no interior de Alagoas, filho de um senhor-de-engenho de antiga linhagem. Passou sua infância entre o engenho e a cidade natal e realizou seus estudos secundários no colégio Diocesano de Maceió. Em 1907 compôs um poema de teor parnasiano que se tornou célebre, O acendedor de lampiões. Começou a estudar Medicina em Salvador e formou-se no Rio de Janeiro. Voltou para Maceió onde exerceu a profissão de médico e elegeu-se deputado estadual. Em 1930, mudou-se definitivamente para o Rio de Janeiro, tornando-se professor de Literatura Brasileira na Universidade do Brasil. Após a queda do Estado Novo, militou na política, elegendo-se vereador no antigo Distrito Federal, pela UDN. Faleceu em 1953.

Obras principais: XIV alexandrinos (1914); Novo poemas (1929) ; Tempo e eternidade (em colaboração com Murilo Mendes,1935); A túnica inconsútil (1938); Poemas negros (1947); Invenção de Orfeu (1952).

A carreira poética de Jorge de Lima apresenta uma evolução contínua, fazendo que se possa dividi-la em três momentos ou fases. A primeira – e a de menor importância – se estabelece a partir de rígidos princípios parnasianos. A segunda é a fase nordestina por se vincular ao universo regional alagoano. E a terceira é a fase religiosa, já que o autor impregna seus poemas de conteúdos místicos e metafísicos.

A FASE NORDESTINA

Esta fase resulta, no plano formal, da aproximação de Jorge de Lima das conquistas técnicas dos modernistas paulistas, em especial da adoção do verso livre, o que ocorreu em meados da década de 1920. No plano temático, o poeta entre em sintonia com as proposições do Manifesto regionalista, elaboradas por Gilberto Freyre, que defendia uma arte mais localista, voltada para expressão da velha realidade rural do Nordeste. Assim, os poemas que escreve nesta época tem como assunto nuclear a realidade existencial, cultural e histórica das camadas populares do Nordeste.

O universo popular aparece envolto em certo tom nostálgico, identificado de alguma maneira com o mundo dos engenhos decadentes ao qual o poeta historicamente pertencia. Algo similar ao que ocorreria, alguns anos depois, na ficção memorialista de José Lins do Rego. Em geral, Jorge de Lima registra liricamente o saber, as crenças e os aspectos pitorescos de um universo ainda não homogeneizado pelo avanço da modernização capitalista. Um universo onde ainda há lugar para entidades míticas como se vê no poema Diabo brasileiro:

Enxofre, botija, galinha preta!
Credo em cruz, capeta, pé-de-pato!
Diabo brasileiro, dente-de-ouro, botija, onde está?
Credo, capeta, pé-de-pato!

Diabo brasileiro quero saber quando dá
a dezena do carneiro?
Enxofre, botija, galinha preta!
Credo em cruz, capeta, pé-de-pato!

Capeta, dente-de-ouro, tome galinha preta,
quero dormir com a Zefa!
Capeta, bode preto, quero dormir com a Zefa! (...)

Dentro desta fase nordestina pode-se inserir ainda um conjunto de poemas afro-brasileiros em que o poeta celebra a cultura negra, seus ritmos, sua religiosidade, seus costumes e até mesmo sua história através da evocação, por exemplo, de Zumbi dos Palmares: “Aqui não há cangas, nem troncos, nem banzos! / Aqui é Zumbi! / Barriga da África.” Estes motivos associados à poderosa musicalidade e à capacidade de criação de imagens de Jorge de Lima fazem com que tais criações tenham um significativo encanto, ainda que a ótica que embasa os referidos poemas seja sempre a de um homem branco.

Entre todos os textos do autor alagoano há um que se tornou antológico: Essa negra fulô. Mesclando a lembrança dos engenhos com a violência do escravismo e com a sensualidade de algumas escravas, Jorge de Lima produz o retrato (ao mesmo tempo cruel e erótico) de uma época.



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