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As vanguardas artísitcas - Cubismo e surrealismo - parte I

O CUBISMO

Durante cinco séculos se manteve na Europa a forma de ver e apreender artisticamente a realidade, criada – através de estudos matemáticos e científicos – pelos homens do Renascimento. O olhar do pintor encontrava um mundo fixo, seres e objetos imóveis, representados sempre sob uma única perspectiva. O Cubismo propôs a destruição destas imagens convencionais, estáticas, congeladas, e, sob este sentido, foi uma das vanguardas mais revolucionárias de todos os tempos.

A primeira manifestação desta nova forma de representar a figura foi um quadro de Pablo Picasso, Les demoiselles d’Avignon, de 1907. No dizer de um crítico: “É como se Picasso tivesse andado cento e oitenta graus ao redor de seu modelo e tivesse sintetizado suas sucessivas impressões numa única imagem.” Ainda que não seja totalmente cubista, Les demoiselles rompe com a perspectiva renascentista e intenta uma visão simultânea, isto é, a fusão de vários olhares sobre uma mesma figura. Estes olhares acabam, portanto, sintetizados numa única imagem.

Tenha em mente esta obra de Picasso: as duas figuras da direita têm os rostos distorcidos e retalhados. Já as cabeças das duas figuras centrais são vistas de frente e, no entanto, seus narizes são vistos de perfil. E por fim, à esquerda, a cabeça mostrada de perfil tem um olho colocado de frente. Decompor e recompor a figura em suas várias faces, simultaneamente apresentadas, eis o princípio chave deste quadro inovador. Esta seria também a característica básica de todo o movimento cubista.

Em 1908, Georges Braque (amigo íntimo de Picasso) expôs quadros em que os objetos, observados de diversos ângulos, davam a impressão de cubos, derivando-se daí a designação de Cubismo para esta nova forma de expressão artística. Por isso, a linguagem da pintura cubista tende à geometrização da figura: ângulos retos, planos e formas descontínuas rompem com o realismo fotográfico e instauram imagens multifacetadas, carregadas de informação com seus volumes tridimensionais. Uma pintura difícil, mas essencialmente figurativa.

Uma outra grande novidade da pintura cubista – e que depois seria incorporada pela literatura – foi a colagem de elementos estranhos na tela. Letras impressas, números, papéis pintados, recortes de jornais, bilhetes, tecidos, maços de cigarro, etc. eram anexados à superfície do quadro, criando significados perturbadores e irônicos.

O Cubismo literário, a exemplo da pintura, teve como alvo decompor a realidade para estabelecer composições livres no espaço da página. Apollinaire, com seus Caligramas, criou uma amplo espectro de disposições gráficas para os seus versos, que formam verdadeiras imagens visuais, como o famoso A pomba apunhalada e o bebedor.



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