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Vestibular Fuvest - Os Lusíadas - parte I
Material elaborado pelo professor Sergio Luís Fischer e cedido para publicação exclusiva pelo professor Sergius Gonzaga. Proibida sua reprodução. Este material é organizado da seguinte maneira: 1- Explicação em itálico 2- o texto original de Camões 3- Glossário
Narração Episódio Inês de Castro (118-135) Um dos episódios mais marcantes da História de Portugal, cantado por diversos poetas ao longo do tempo, a trágica morte de Inês de Castro merece igualmente destaque nas páginas de Os Lusíadas. Resumidamente, trata-se de um caso de amor que envolve D. Pedro de Portugal e Inês de Castro, figura que entra na Corte Portuguesa pelas mãos da esposa de D. Pedro, D. Constança de Castela. D. Pedro I acaba por apaixonar-se por Inês e com ela tem três filhos. Após a morte da esposa, com medo de que Inês se tornasse Rainha de Portugal quando D. Pedro assumisse o trono de seu pai, alguns nobres da Corte Portuguesa convencem o Rei a matá-la, o que este manda fazer no ano de 1355. Camões, através da fala de Vasco da Gama, destaca do episódio sua carga romântica e dramática, deixando em segundo plano as questões políticas que o marcam.
118 – ( - Depois de vencer a Batalha do Salado, tendo D. Afonso IV voltado a Portugal, aconteceu a triste história de Inês de Castro, que virou Rainha depois de morta.)
“Passada esta tão próspera vitória, Tornando Afonso à Lusitana terra, A se lograr da paz com tanta glória Quanta soube ganhar na dura guerra, O caso triste, e dino da memória, Que do sepulcro os homens desenterra, Aconteceu da mísera e mesquinha Que depois de ser morta foi Rainha. 118-1: vitória – na batalha do Salado. 118-2: Tornando – voltando (para Portugal). 118-3: se lograr da paz – gozar, aproveitar a paz. 118-4: O caso triste – a morte de Inês de Castro, acontecida em 1355, que vai ser narrada nas estrofes seguintes. 118-5: dino – digno. 118-7: mísera e mesquinha – desgraçada e humilde. 118-8: este verso já antecipa o final do episódio, quando Inês é coroada Rainha por seu amado D. Pedro I, então Rei de Portugal, no ano de 1361. 119 – ( - Tu, Amor, que dominas os corações humanos, causaste a morte de Inês, como se fosse uma inimiga. Parece, Amor, que queres lavar teus altares com sangue dos homens.. “Tu só, tu, puro Amor, com força crua, Que os corações humanos tanto obriga, Deste causa à molesta morte sua, Como se fora pérfida inimiga. Se dizem, fero Amor, que a sede tua Nem com lágrimas tristes se mitiga, É porque queres, áspero e tirano, Tuas aras banhar em sangue humano. 119-1: puro – sincero. 119-1: Amor – Eros, o deus do amor, que vai ser poeticamente responsabilizado pela morte de Inês de Castro. 119-2: obriga – domina. 119-3: molesta – lastimosa, triste. 119-5: fero – cruel. 119-6: mitiga – diminui, acalma. 119-8: aras – altares. 120 – ( - Estavas, Inês, em Coimbra, vivendo aquele amor cego, a felicidade que não dura muito, ensinando à natureza o nome do teu amor.) “Estavas, linda Inês, posta em sossego, De teus anos colhendo doce fruto, Naquele engano da alma, ledo e cego, Que a fortuna não deixa durar muito, Nos saudosos campos do Mondego, De teus fermosos olhos nunca enxuto, Aos montes ensinando e às ervinhas O nome que no peito escrito tinhas. 120-1: Inês – Inês Pires, filha bastarda de D. Pedro Fernandes de Castro e bisneta de D. Sancho IV, da Espanha. 120-1: posta em sossego – sossegada, tranqüila. 120-3: Naquele engano de alma – envolvida pelo amor, apaixonada. 120-3: ledo – alegre, ingênuo. 120-4: fortuna – sorte. 120-5: Mondego – rio que banha a cidade de Coimbra. 120-6: fermosos – formosos, belos. 120-6: nunca enxuto – indica que o rio nunca seca devido às lágrima de Inês de Castro. 120-8: O nome – o nome do seu amado, D. Pedro, filho de D. Afonso IV. 121 – ( - Ali vivias com as lembranças de teu amado, que também lembrava de ti, quando afastado; de noite sonhavas, de dia teus pensamentos voavam nas memórias alegres.) “Do teu Príncipe ali te respondiam As lembranças que na alma lhe moravam, Que sempre ante seus olhos te traziam, Quando dos teus fermosos se apartavam: De noite em doces sonhos, que mentiam, De dia em pensamentos, que voavam. E quanto enfim cuidava, e quanto via, Eram tudo memórias de alegria. 121-1: teu Príncipe – D. Pedro, príncipe de Portugal, amante de Inês de Castro. 121-2: lhe moravam – moravam na alma dele, de D. Pedro. 121-7: cuidava – pensava. 121-7: via – percebia a realidade.
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