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Erico Verissimo - parte IV
Os demais romances de Erico Verissimo publicados após O tempo e o vento intensificam características presentes em obras anteriores, sobremodo a consciência liberal do escritor. Os textos ganham conotações políticas, em um sentido amplo. O Senhor embaixador é um romance que se passa em Washington e em Sacramento, republiqueta imaginária da América Central, Sacramento. O ditador deste país nomeia como embaixador nos EEUU seu compadre, o velho caudilho Gabriel Heliodoro. O secretário da embaixada – o jovem intelectual Pablo Ortega – é hostil à ditadura, mas acaba amigo do embaixador por saber que ele nunca se envolvera em crimes de sangue. Um movimento de guerrilhas explode em Sacramento. Pablo Ortega adere à Revolução. Gabriel também retorna a seu país para defender o ditador. Os guerrilheiros triunfam, ainda que divididos em várias tendências. A tendência comunista começa a se impor sobre as demais, estabelecendo o terror revolucionário. Gabriel é preso e submetido a um julgamento de cartas marcadas. Sem temer a impopularidade, Pablo Ortega resolve defender o amigo por achar que ele não merecia o fuzilamento. A defesa é inútil e assim Pablo compreende que os revolucionários vão impor um regime ditatorial de esquerda. Seu primeiro impulso é fugir, porém acaba ficando no país para denunciar, enquanto fosse possível, o caráter totalitário que a revolução havia assumido O senhor embaixador, cuja ação se desenvolve paralelamente na capital americana e na pequena republiqueta de Sacramento, dominada por uma ditadura corrupta e sanguinária, revela a figura de Gabriel Heliodoro. Caudilho, compadre do tirano, nomeado embaixador em Washington, mostra a ambigüidade clássica doa caudilhos - indefinição ideológica e carisma pessoal. Diante dele, o secretário da embaixada, um intelectual de origem burguesa, Pablo Ortega, é obrigado a definir-se. O letrado, no final do texto, torna-se homem de ação, participando do movimento revolucionário que derruba o ditador. Em O prisioneiro, o autor formula indagações morais e políticas sobre o sentido da guerra e da intervenção de uma grande potência ocidental, não referida diretamente, no Sudeste asiático. Mas a leitura é óbvia: a Guerra do Vietnã. Além da condenação ao imperialismo, o livro traz uma pergunta a respeito da tortura, isto é, se não seria legítimo utilizá-la em situações de emergência, como forma de salvar muitas vidas. Dentro do ideário humanista de Erico, a resposta naturalmente é não. Nada, nenhum princípio pode justificar a tortura. Finalmente, seu último romance, Incidente em Antares, retorna à temática do interior, mas agora sob uma perspectiva crítica. Já não há lugar para homens como o capitão Rodrigo. O que existe é a violência do gaúcho, discutíveis conceitos de honra e exploração econômica. Através da luta de duas famílias tradicionais de fazendeiros, os Vacariano e os Campolargo, e do "incidente", uma greve de coveiros que deixa insepultos sete mortos - sendo que estes voltam a traição, Erico reflete sobre a realidade social e política do Brasil nos anos 60. É libelo contra o autoritarismo que impunha ao país um regime de sombras e de terror.
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