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Gênero Dramático- parte II
Enquanto a tragédia evocava um passado remoto e incerto, povoado de gente superior, a comédia – também surgida na Grécia clássica – situava seus acontecimentos na época presente, na vida cotidiana de gente bastante comum. Também as danças e cânticos dos rituais dionisíacos constituíram o começo dessa espécie teatral, só que os primeiros artistas cômicos voltavam-se para a alegria e para a crítica mordaz, e não para as verdades sublimes do pensamento aristocrático. Aristófanes (448-380 a.C.) é o nome essencial da comédia grega, com suas peças de temas prosaicos, de linguagem direta e de agudo poder corrosivo, entre as quais As rãs e As nuvens. Valendo-se de personagens que encarnavam tipos característicos da sociedade ateniense, buscando neles os traços risíveis e grotescos, usando o coro para intensificar ainda mais a sátira aos comportamentos, transformou suas comédias em espetáculos de enorme popularidade. Além disso, Aristófanes abriu caminho para outros autores como Menandro. Deste se conservou apenas O misantropo, comédia que registra uma evolução no gênero pois o autor abandona o coro e faz a ação girar em torno de caracteres e de uma trama engraçada e sentimental. Outras espécies teatrais surgiriam no transcurso das civilizações: - Farsa (sátira exagerada); - Pantomima (que expõe a trama tão somente através de gestos); - Auto (tipo de teatro medieval, voltado para a edificação religiosa); - Drama histórico (que tem seu apogeu na Inglaterra, como crônica da vida de antigos reis e que serve para William Shakespeare, (1564-1616), de forma sutil, criticar o seu próprio tempo.) Aliás, este dramaturgo constrói a mais importante literatura teatral de todos as épocas, deixando trinta e cinco obras entre tragédias, comédias e dramas históricos. Em peças como Hamlet, Rei Lear, Romeu e Julieta, Otelo, Júlio César, Macbeth, A tempestade, e tantas outras, ele aperfeiçoa a estrutura teatral; incorpora ao diálogo o verso branco (sem rimas), conferindo à linguagem uma naturalidade esplendorosa; desenvolve a autonomia psicológica dos protagonistas; e coloca em ação – de forma viva e intensa - os problemas fundamentais do homem moderno que está nascendo com o Renascimento. - Drama burguês ou drama moderno ( formulação teatral surgida no século XIX, e que tem este nome para não ser confundido com o gênero dramático. Seus principais traços são a liberdade de expressão, a eventual mistura entre o sério e o cômico e o estudo do homem burguês em seus conflitos familiares e sociais, dentro de uma ótica realista.) Entre os representantes mais significativos dessa tendência encontramos o norueguês, Henrik Ibsen, com Casa de bonecas e O inimigo do povo, e o russo Anton Tchecov, com Tia Vânia e O jardim das cerejeiras. - Já no século XX, os pontos culminantes nascem do teatro do absurdo, com Samuel Beckett e Eugène Ionesco, que escrevem respectivamente Esperando Godot e A cantora careca. Em suas obras, há um terrível desamparo ideológico e metafísico, resultando disso um processo de crise total que atinge a própria linguagem dramática, transformando a comunicação entre os seres num jogo irracional, ilógico e sem esperanças. - O contraponto dessa dramaturgia do desespero vem com o teatro social de Bertold Brecht que em Mãe Coragem; A ópera dos três vinténs; Os fuzis da senhora Carrar procura uma estética do “distanciamento” para que o espectador não seja conduzido apenas pela emoção, mas também pela reflexão a respeito dos fundamentos da sociedade capitalista e da necessidade de criar uma ordem social alternativa. Apesar do malogro do socialismo, que envelheceu a perspectiva marxista do autor, seus textos ainda possuem grande beleza dramática.
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