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Gênero Épico- parte I

GÊNERO ÉPICO

O gênero épico (ou épica, ou gênero narrativo, ou simplesmente narrativa) é provavelmente a mais antiga das manifestações literárias. Ele surgiu quando os homens primitivos sentiram necessidade de relatar suas experiências, centradas na dura batalha de sobrevida num mundo caótico, hostil e ameaçador.

Podemos imaginar os demais membros da tribo, em torno de uma roda de fogo, ouvindo estes narradores que talvez mais gesticulassem e emitissem grunhidos do que articulassem verbalmente as suas histórias. Podemos conceber também que alguns desses ancestrais dos grandes escritores tivessem maior capacidade para contar suas aventuras do que seus companheiros. Talvez selecionassem melhor os fatos interessantes, concatenassem de maneira mais ordenada os acontecimentos ou conseguissem descrever com maior realismo os animais ferozes que haviam caçado.

É possível também que – em função da resposta do auditório – estes contadores primitivos de histórias acabassem aumentando o número e a intensidade de suas façanhas. E é de se supor, por fim, que em busca do aplauso do clã, não se restringissem apenas às situações vividas, mas acrescentassem pormenores inexistentes e inventassem ações heróicas. Ou seja, é bem provável que produzissem ficção. Estava nascendo o gênero épico, a narrativa.

Os elementos essenciais

Desde os seus primórdios – quando se constituiu – a estrutura épica se organizou sempre em torno dos mesmos elementos:

- Narrador: aquele que conta a história a um público, formado, antes da invenção da escrita, por ouvintes e, mais tarde, por leitores. Pode tanto ser tanto um relato de suas próprias vivências (narração em primeira pessoa), quanto um relato de ações praticadas por outros indivíduos (narração em terceira pessoa).

- História: a sucessão de fatos (aventuras, conflitos) organizados de forma coerente e lógica. É chamada também de argumento, urdidura, intriga ou trama.

- Personagens: os seres, em geral imaginários, que protagonizam as ações do enredo.

- Tempo: o período que assinala o percurso cronológico que vai do início ao fim do enredo. Quase todas as narrativas apresentam os eventos como já ocorridos, como algo pertencente ao passado, o que permite ao autor organizar com maior facilidade a estrutura temporal de sua obra. Assim, ele pode concentrar ou estender as ações, em intervalos maiores ou menores de tempo, de acordo com a necessidade de persuasão, a dramaticidade e a intensidade do enredo.

- Espaço: é o ambiente onde os personagens se movimentam. Pode ser apresentado de maneira minuciosa ou apenas sugerido.

A objetividade

As formas narrativas por definição tendem à objetividade. O autor épico preocupa-se menos em expressar os seus estados de alma do que um poeta lírico. Seu alvo é a criação de um mundo que se pareça – em maior ou menor escala – com a realidade concreta. Ao criar uma história protagonizada por várias personagens, o autor é obrigado a construi-las com um mínimo de diversidade e objetividade, sob pena de transformá-las em projeções repetitivas e fantasmagóricas de sua própria interioridade.
É impossível imaginar uma epopéia ou um romance em que todos os personagens se pareçam, mas isto provavelmente aconteceria caso o autor não se distanciasse criticamente de sua subjetividade e não assumisse um vigoroso interesse pela observação da realidade circundante.

Uma definição sintética

Portanto, a expressão gênero épico identifica aquelas obras literárias em que o autor organiza objetivamente um mundo e o narra a seus leitores, através de personagens que vivem acontecimentos conflituosos, num certo período de tempo e num determinado ambiente (espaço físico-geográfico).

Evolução

O gênero épico ( ou a épica) desenvolveu-se em várias civilizações e em vários momentos históricos, mas os seus modelos insuperáveis são a Ilíada e a Odisséia, epopéias surgidas na Grécia por volta dos séculos IX e VIII a.C., ou mesmo do século IX a.C. Estas obras, como outras similares, foram denominadas também poesia épica, isto porque – possivelmente com objetivo de memorização – eram metrificadas. Costuma-se dizer que a última grande manifestação de poesia épica no Ocidente são Os Lusíadas, de Camões, que veio à luz em 1572.

O conto e o romance , que descendem da epopéia, já eram conhecidos na Antigüidade greco-romana tardia e tiveram extraordinário desenvolvimento a partir dos séculos XVIII e XIX, na Europa ocidental. Nem conto nem o romance apresentam métrica, mantendo, porém, a estrutura fundamental do gênero:

Narrador – história – personagens – tempo – espaço

No entanto, por serem expressões de civilizações e épocas distintas, tanto o romance quanto o conto afastam-se do universo de deuses e heróis sublimes da Antigüidade, focalizando os dramas mais corriqueiros dos homens que vivem nos tempos modernos e contemporâneos.

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