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Gênero Épico- parte II

A EPOPÉIA CLÁSSICA

A epopéia clássica- termo aplicado essencialmente às obras de Homero – é estruturada em forma de poema com métrica, mas sem rima. Isso facilitava a sua memorização pelos menestréis que, acompanhados por uma lira, recitavam diante do público, os cantos (ou partes) das obras.

Sabe-se que existiram muitos dessas epopéias, mas, à exceção da Ilíada e da Odisséia – conservadas na íntegra – restam delas poucos fragmentos. E os que restaram são nitidamente inferiores diante daquelas obras.

Os poemas homéricos

Na formação da cultura grega sempre houve uma tradição oral e anônima: velhos narradores repassavam aos jovens as histórias sagradas do passado. Com isso foi se criando um expressivo conjunto de mitos (ou lendas) que explicavam como se formara o mundo, como se instaurara a ordem cósmica, e qual o papel dos deuses e dos heróis nesta fundação da realidade.

Esta mitologia – inventada por poetas e artistas – tornou-se um processo tão denso e cheio de significados para a sociedade grega que, durante vários séculos, parte considerável da literatura e das artes plásticas teve como tema a apresentação e a interpretação dos referidos mitos – os quais, não raro, estavam impregnados dos valores aristocráticos dominantes como o militarismo, o sentido de honra, as clãs familiares, etc.

Os poemas homéricos também se desenvolveram em torno de mitos e idéias então correntes. Neles, deuses do Olimpo e heróis humanos jogam-se em guerras e aventuras de ação trepidantes cujo desenrolar e desfecho já eram conhecidos pelo público por fazerem parte da memória coletiva grega. A função do poeta épico – ou do menestrel que recitava o texto – centrava-se, pois, na elaboração coerente e na forma clara e interessante com que apresentavam os episódios.

Daí a necessária invocação das musas antes de iniciar-se o recital ou a escrita do texto. Essas nove divindades femininas eram as protetoras das artes e delas vinha a inspiração dos poetas. Só as palavras inspiradoras destas divindades asseguravam a veracidade e a importância de uma obra de arte. O artista era apenas o instrumento da verdade eterna expressa pela arte.

No começo da Ilíada, Homero invoca a deusa que vai lhe transmitir os acontecimentos desencadeados pela fúria do guerreiro Aquiles:

Canta, ó Deusa, a fúria devastadora do Pelida Aquiles, a qual trouxe muitas aflições aos aqueus (gregos), enviou ao reino dos mortos almas ilustres de muitos heróis e fez dos seus corpos pasto de cães e de toda a sorte de aves.

ILÍADA

A Ilíada é um poema guerreiro e propõe-se a cantar os efeitos da raiva de Aquiles, num pequeno episódio anterior ao fim da Guerra de Tróia. O tempo de ação não ultrapassa a cinqüenta dias, enquanto os aqueus (gregos) tentam inutilmente derrotar os troianos em torno das muralhas de Ilion (Tróia).

Homero não mostra todo o confronto. Até porque todos os seus ouvintes (ou leitores) já conheciam a história: a do rapto da bela Helena que, embora casada com o grego Menelau, deixa-se seduzir por Páris, filho do rei de Tróia, Príamo. O fato provoca uma violenta resposta dos chefes aqueus (gregos), comandados por Agamênon. Após dez anos de inútil cerco, os gregos aceitam a idéia de Ulisses e deixam junto às muralhas de Tróia um gigantesco cavalo de madeira que, em seu interior, esconde um grande número de guerreiros. O ardil de Ulisses tem êxito, pois os troianos, curiosos, puxam o cavalo para dentro de seus muros. À noite, os guerreiros gregos saem do cavalo e abrem as portas da cidade para seus camaradas. Assim, Tróia é facilmente conquistada.

A Ilíada é basicamente o relato dos eventos deflagrados pela cólera de Aquiles que, sentindo-se traído pelo rei Agamênon, por este ter lhe roubado uma escrava, Briseida, abandona o combate. Sem a participação de seu melhor guerreiro, os gregos começam a perder a guerra. Pátroclo, o grande amigo de Aquiles, condoído da sorte dos gregos, roga ao companheiro permissão para ajudá-los. Aquiles consente e lhe oferece a sua armadura.

Todavia, Pátroclo será morto em combate por Heitor, filho do rei troiano, Príamo, e portanto, irmão de Páris. Exasperado, Aquiles retorna à luta para vingar o amigo e enfrenta em combate individual o odiado Heitor, matando-o. Em seguida arrasta o corpo do troiano até o acampamento grego e ali o deixa insepulto. O rei de Tróia dirige-se então à barraca de Aquiles e implora pelo corpo do filho. Emocionado com a dor do ancião, Aquiles libera-lhe o cadáver. Neste momento, o poema se fecha com uma trégua para a realização dos funerais dos dois guerreiros, Pátroclo e Heitor.



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