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O Romance- parte III

O triunfo do gênero

Até o século XVIII, o romance tinha pouco prestígio, aparecendo como uma forma literária cultivada apenas por espíritos frívolos. Moralistas da época atribuem aos romances a possibilidade de “perturbação passional e corrupção dos costumes”. Na Espanha, uma determinação real, datada do século XVI, proibia que se levassem quaisquer dessas obras para o Novo Mundo, a fim de não contaminar os índios que lessem em língua espanhola. Em 1666, um moralista chamado Nicole chegou a afirmar que um escritor de romances era um “envenenador público”.

Pouco a pouco, no entanto, o novo gênero foi conquistando um número imensurável de adeptos. Mesmo porque as novas gerações de leitores, ligadas aos valores burgueses triunfantes, especialmente na Inglaterra, identificam-se com o forte realismo cômico e crítico, presente em obras como Moll Flandres (1722), de Daniel Defoe ou A história de Tom Jones, um enjeitado (1749), de Henri Fielding.

O romance inglês

No século XVIII, o romance tornou-se a principal forma de entretenimento e informação dos ingleses, que apreciavam sobremaneira o amplo painel de sua vida cotidiana pintado por vários autores. (Alguns deles eram fortemente influenciados pela narrativa picaresca espanhola).
Assim, a publicação de qualquer novo romance de um escritor então em voga transformava-se em um grande acontecimento. Afinal, o enredo e os personagens destas obras, refletiam como um espelho a vida concreta da sociedade burguesa e de outros grupos sociais da Inglaterra, em um período de imensas transformações históricas.

Significativo, sob este ângulo, é Daniel Defoe. Em 1719, publicou uma das narrativas mais lidas em todos os tempos, Robinson Crusoé. Robinson é o homem que vivendo sozinho numa ilha distante, depois de um naufrágio, consegue dominar a natureza e o caos que o ameaça e criar uma mundo próprio sob o signo da ordem e do bem-estar.

O historiador da literatura Arnold Hauser resume com perfeição o sentido da façanha de Robinson: “A história de sua aventura é um hino continuado ao trabalho, à perseverança, ao talento que vencem todas as dificuldades. Em suma, um hino às virtudes práticas burguesas”.
O mesmo Defoe, seguindo o modelo da narrativa picaresca, escreveu Moll Flandres, talvez o melhor romance de seu século XVIII. As “venturas e desventuras” da menina abandonada que prima pela estonteante beleza e que se torna dama de companhia, ladra, prostituta, casando-se cinco vezes, sendo deportada para a Virgínia (EUA), fazendo fortuna e depois contando, arrependida, as suas próprias memórias, também obteve um êxito fulminante junto ao público.

Pela mesma época, o irlandês Swift lançou As viagens de Gulliver (1726), uma sátira feroz contra a humanidade, até hoje considerada, equivocadamente, leitura para crianças e adolescentes. Vinte anos depois foi a vez de Henry Fielding sacudir a Inglaterra com Tom Jones. O protagonista é o pícaro inglês, o menino enjeitado acolhido pela generosidade de um bom fidalgo. Tom Jones cresce e transforma-se em um rapaz forte, saudável e de boa índole, forte, de bons sentimentos, mas com pouco juízo, metendo-se por isto em sucessivas trapalhadas.

Ao fazer seu personagem perambular pelas estradas, em companhia de um barbeiro pernóstico, ora procurando e ora fugindo de sua amada Sofia, Fielding constrói um extraordinário painel dos costumes da época e cria uma infindável galeria de tipos pitorescos e representativos da sociedade inglesa daquele tempo.

Na segunda metade do século XVIII, o romance se espalhara e se consolidara vigorosamente na França e por toda a Europa. A nova Heloísa(1761), de Rousseau; Werther (!774), de Goethe; As ligações perigosas (1782), de Choderlos de Laclos, por exemplo, transformam-se em verdadeiros sucessos editoriais, atestando a inequívoca supremacia desta forma literária sobre as demais.

O século do romance

Contudo, o século do romance foi, sem dúvida, o XIX. Só durante a era napoleônica (1799-1815), calcula-se que tenham sido publicados cerca de quatro mil romances, o que atesta a impressionante recepção popular do gênero.

A partir desta época, que corresponde à do Romantismo e, depois, à do Realismo, a narrativa longa de ficção tornou-se – no dizer do crítico Vítor Manuel de Aguiar e Silva“a principal forma artística para exprimir os multiformes aspectos do homem e do mundo, quer como romance psicológico (confissão e análise das almas); quer como romance histórico (ressurreição e interpretação de épocas passadas); quer no romance poético e simbólico; quer no romance de análise e crítica da realidade social.”
De certa maneira, é esta amplidão que leva o romance a adquirir tamanha representatividade, conforme afirma o poeta Baudelaire por volta de 1860: “Os romances têm um maravilhoso prilégio de maleabilidade. Adaptam-se a todas as naturezas, abrangem todos os assuntos.(...) O romance é um gênero bastardo cujo domínio, em verdade, não tem limites.”

Especialmente a partir de 1850, o gênero experimentou extraordinário apogeu. Surgiu um conjunto de obras-primas escritas por Flaubert, Zola, Dostoievski, Tolstói, Turguêniev, Eça de Queirós, Joseph Conrad e Machado de Assis, entre outros. As técnicas narrativas tornaram-se mais requintadas, aprofundaram-se as experiências humanas e ampliaram-se as visões de mundo. Desde a velha Grécia, a literatura não falava tão proximamente aos homens comuns.

O fim do romance?

Verdade que, após a notável emergência do referido grupo de autores, o romance entrou um relativo declínio. Esse fato levou alguns historiadores literários, e mesmo alguns ficcionistas, em meados do século XX, a anunciar o desaparecimento das formas narrativas e até da própria literatura. A era da letra escrita teria chegado a seu fim, substituído por formas visuais de expressão, como o cinema e a televisão.

Mas o vaticínio de um apocalipse das espécies literárias fracassou e a morte anunciada não se cumpriu. Ao inverso, nos albores do século XXI, o romance continua cada vez mais vivo, abordando novos temas e revestindo-os de novas maneiras de apresentação ficcional da realidade.

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