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 Romance de 30


OS ROMANCISTAS

1. JOSÉ AMÉRICO DE ALMEIDA (1887-1980)

VIDA: Nasceu em Areia, na Paraíba, descendente de uma poderosa família rural. Desde cedo interessou-se pela política e pela literatura e ,como era de praxe nestas circunstâncias, foi estudar Direito no Recife, formando-se em 1908. Entre 1911 e 1929 exerceu o cargo de procurador geral em seu estado. Ao lançar, em 1922, o ensaio A Paraíba e seus problemas, obteve alguma repercussão nos meios letrados da região. Porém, em 1928, sacudiria o país com a publicação de A bagaceira. Cansada da agitação modernista, a juventude intelectual brasileira viu no romance a plataforma de um novo tipo de arte.

Para José Américo, contudo, o trânsito da literatura para a política (e vice-versa) continuava ininterruptamente. Ele foi secretário do Interior e Justiça, durante os dois anos do governo João Pessoa, cujo assassinato desencadeou a Revolução de 30. Após a vitória dos revolucionários, Getúlio Vargas o convocou para o Ministério de Viação e Obras Públicas. Em 1937, candidatou-se à Presidência da República, mas as eleições foram suprimidas pelo Estado Novo. Retirou-se então provisoriamente da política. Em 1945, vingando-se de quem o sabotara, deu famosa entrevista a Carlos Lacerda, pedindo o fim da ditadura getulista. A matéria não foi censurada, por uma manobra de Lacerda, e acabou sendo, pelos desdobramentos que ocasionou, a gota d'água na derrubada da ditadura. Isso não o impediu de voltar à condição de ministro, no segundo governo de Vargas. Quanto à literatura, tentou inutilmente repetir o sucesso de seu primeiro romance com Boqueirão (1935) e Coiteiros (1936). De certa forma, o escritor fora destruído pela vida pública.

Obra principal: A bagaceira (1928)

RESUMO

Durante uma terrível seca, os retirantes sertanejos, Valentim Pereira, sua filha, Soledade, e um agregado, Pirunga, buscam abrigo no engenho de Dagoberto Marçao, "coronel" rico, viúvo e dominador no velho estilo patriarcal, e que tem um único filho, Lúcio, estudante de Direito no Recife. Entre Lúcio e Soledade brota um forte afeto, mas o rapaz hesita em dar plena seqüência ao flerte por não ter convicção de que seria capaz de amá-la no contexto urbano e intelectualizado onde ele, Lúcio, vivia.

O filho do "coronel" volta aos estudos, porém ao retornar à propriedade do pai, em novas férias, descobre que Soledade fora seduzida. Em princípio, Valentim, o pai da jovem, supõe que o sedutor é o feitor do engenho e termina por assassiná-lo, de acordo com os rígidos códigos sertanejos. Lúcio se oferece para defender Valentim, que está preso, e lhe comunica que deseja casar-se com Soledade. Entretanto, como numa tragédia grega, vem a terrível revelação: a moça perdera a virgindade com Dagoberto. O "coronel" e a moça fogem então para a propriedade de Valentim, no sertão paraibano. O agregado Pirunga os acompanha, porém - assumindo a idéia de vingança em nome da honra sertaneja - acaba provocando a morte do senhor de engenho.

Lúcio assume o controle do engenho, interrompe o circuito da vingança(1) e dá início à modernização da propriedade que fora de seu pai, tanto em termos produtivos quanto em termos sociais. Anos mais tarde, em outra seca, Soledade, completamente envelhecida, deixa sob a proteção de Lúcio, um menino, que era filho de Dagoberto.

O QUE OBSERVAR EM A BAGACEIRA

A) O relato abre o ciclo do romance de 30 entre outras razões por sua força de denúncia dos horrores gerados pela seca.

B) Importante notar o prefácio que, como em muitas obras inaugurais, vale tanto ou mais do que próprio texto narrativo. Destaque para o espanto do escritor face às mazelas: "Há uma miséria maior do que morrer de fome no deserto: é não Ter o que comer na terra de Canaã."

C) Há um choque de três visões que correspondem a três processos sócio-culturais distintos:

1) Visão rústica dos sertanejos, com seu sentido ético arcaico.
2) Visão brutal e autoritária do senhor de engenho, representando a velha oligarquia.
3) Visão civilizada (moderna, urbana) de Lúcio, traduzindo um novo comportamento de fundo burguês e que logo seria autorizado pela Revolução de 30.

D) Significativo é o projeto modernizador de Lúcio ao assumir o comando do engenho: alfabetização dos filhos dos trabalhadores, melhores condições de habitação, etc. Ou seja, aquilo que Getúlio Vargas proporia nos anos seguintes como alternativa para o país.

E) Estilisticamente o livro apresenta uma mistura (mal resolvida) de linguagem tradicional - dominada por um tom desagradavelmente sentencioso - com um gosto modernista por elipses e imagens soltas, e ainda pelo uso de algumas expressões coloquiais ou regionais.

F) Fora sua notável importância histórica, A bagaceira é um romance frustrado por causa do excesso de análise sociológica. É como se a ânsia do autor em tudo explicar, destruísse todo e qualquer efeito sugestivo da narrativa. Luís Costa Lima explicitou bem esse defeito: " A falha central do novelista é a sua incapacidade de ultrapassar o realismo mais primário."

ROMANCE DE 30

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