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  Romance de 30


José Lins do Rego - parte II


Os romances que compõem o ciclo da cana-de-açúcar têm alguns elementos que merecem ser destacados:

- Os três primeiros (Menino de engenho, Doidinho, Bangüê) apresentam um predomínio do memorialismo sobre a pura ficção. Isso ocorre pela presença do personagem autobiográfico Carlos de Melo, que é o narrador desses relatos.

- No primeiro deles, Menino de Engenho, Carlos elabora uma espécie de crônica da existência diária no engenho Santa Rosa. Neste romance aparecem, sob a forma de pequenas cenas e rápidas descrições, o avô Zé Paulino, velho patriarca rural, as tias solteironas, os “cabras”que trabalham na plantação, as mucamas, os “moleques da bagaceira” e os cangaceiros que, eventualmente encontram guarida no Santa Rosa. No segundo, Doidinho, Carlos é enviado para um internato e lá encontra um universo regido pela palmatória e pela injustiça, num romance que lembra O ateneu, de Raul Pompéia.

Já no terceiro desses romances memorialistas, Bangüê, Carlos de Melo volta para o Santa Rosa, dez anos depois. Formara-se em Direito, mas é completamente incapaz para a vida prática. Deitado em uma rede, gasta os seus dias a ler e a devanear. Acaba tendo um caso com Maria Alice, esposa de um parente e que passava uma temporada no engenho. Apesar de amá-la, Carlos mostra-se impotente para lutar por ela e Maria Alice termina voltando aos braços do marido. Após a morte do coronel Zé Paulino, o narrador-protagonista recebe de herança o Santa Rosa. Contudo, sua falta de firmeza para enfrentar tanto o negro Zé Marreira – antigo morador do engenho e hoje proprietário vizinho – quanto os usineiros, que querem lhe arrancar as terras férteis do Santa Rosa, levam Carlos de Melo a vender a propriedade herdada ao tio Juca de Melo por uma ninharia e dirigir-se para a cidade.

- Estas três primeiras obras, apesar de bem narradas, não revelam maior complexidade dramática, funcionando mais como crônicas da realidade dos engenhos do que propriamente como romances de elevada tensão em seus enredos. Uma certa tendência lírica e sentimental do narrador leva ao afrouxamento dos conflitos e à falta de consistência objetiva dos mundos descritos.

- As tentativas subseqüentes de romances em terceira pessoa indicam uma busca de maior objetividade seja no acompanhamento dos dramas pessoais do antigo companheiro de Carlos, Ricardo (Moleque Ricardo), seja no registro detalhado da transformação do engenho Santa Rosa em usina (Usina). Apesar do esforço de ampliação dos conflitos humanos e sócio-históricos, José Lins do Rego ainda não atinge nesses relatos uma plena realização literária. Usina é excessivamente descritivo, parecendo mais uma aula de economia do que uma obra ficcional. Moleque Ricardo, que mostra a ida de Ricardo para cidade, sua conversão à idéias de esquerda e sua prisão como subversivo, é um texto ideológica e esteticamente caótico.

- A visão de mundo dominante no ciclo da cana-de-açúcar é a dos senhores de engenho. Há uma indisfarçada nostalgia de José Lins do Rego em relação ao decadente universo social de onde procedia. A derrocada de sua classe o entristece. Disso resulta também o seu desprezo pelo avanço capitalista que arruinava a velha aristocracia patriarcal nordestina. Não se pode, no entanto, considerar o autor de Bangüê como possuidor de uma mentalidade reacionária. Sua pintura do passado não é idealizada. À sombra dos engenhos arcaicos, floresce uma triste humanidade de desvalidos, cuja miséria José Lins deixa entrever. Sua aproximação dos “moleques da bagaceira”, sintetizados na figura de Ricardo, mostra que o escritor identifica-se com as camadas populares, ainda que por razões sentimentais. O destino trágico dos homens pobres é homólogo ao dos senhores de engenho. A modernização devora a ambos

- A linguagem de José Lins do Rego é bastante coloquial, com visíveis marcas de oralidade. O resultado desta espontaneidade estilística é, às vezes, um singular acento poético. Às vezes, um estilo repetitivo e um pouco desleixado.

FOGO MORTO

Depois de ter declarado, no prefácio de Usina, em 1936, que havia encerrado o ciclo da cana-de-açúcar, José Lins do Rego retornou a seu motivo central em 1943. Premido pelas circunstâncias históricas: o Estado Novo, as ditaduras fascistas e totalitárias do mundo inteiro e a II Guerra Mundial, escreveu uma indiscutível obra-prima, Fogo morto. A perspectiva memorialista, que predominara nos primeiros romances, é dissolvida em detrimento de uma concepção totalizante da sociedade açucareira. Os conflitos individuais se expandem, tornando-se mais variados e profundos em relação às obras anteriores.

Narrado em terceira pessoa, Fogo morto divide-se em três partes, cada qual correspondendo a um personagem. A unidade da obra é garantida não apenas pelo cenário comum, mas também pelo fato de que o protagonista de cada parte representa um grupo social específico daquela região nordestina. Além disso, todos eles se relacionam entre si, o que determina a composição de um painel expressivo das relações inter-classes dentro de um sistema sócio-econômico que já durava vários séculos.



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