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Os realistas fogem às exibições subjetivas dos românticos. O escritor deve manter a neutralidade diante daquilo que está narrando, e, dentro de alguns limites, jamais confunde sua visão particular com a visão e os motivos dos personagens. Por isso mesmo, há um domínio das narrativas em terceira pessoa ("Raskolnikov puxou o ferrolho, entreabriu a porta...") sobre as narrativas em primeira pessoa ("Eu puxei o ferrolho..."). A terceira pessoa favorece a impressão de que os personagens realizam seus destinos sem a interferência do sujeito que as criou. Flaubert comparava o escritor a um "deus ex machina", isto é, a um deus fora do mundo que tudo sabe e ninguém vê:
O autor, em sua obra, deve ser como um Deus no universo: onipresente e invisível.
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